Entrevistas
Marta Pintor está no último ano de Enfermagem. Sente-se preparada e capaz de ultrapassar qualquer desafio, mas admite que não sabe o que a espera. A incerteza sobre se vai, ou não, arranjar trabalho preocupa-a, mas ela promete não baixar os braços e estar atenta a qualquer oportunidade. Mesmo que essa surja de fora do país.
"O atendimento é excelente, a cobertura nacional é que é insuficiente". Esta é a opinião de Bruno Delgado, especialista em Enfermagem de Reabilitação, sobre a reabilitação cardíaca em Portugal. Por considerar que há falta de investigação na área, como trabalho de doutoramento (que está a fazer no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto) o enfermeiro decidiu desenvolver um estudo sobre exercício físico para o doente com insuficiência cardíaca (IC) durante a fase de internamento. O estudo "Enfermagem de Reabilitação no Doente com Insuficiência Cardíaca - programa ERIC, impacto de um programa de exercício físico" arrancou no Hospital de Santo António, na cidade invicta, mas a ideia é alarga-lo a todo o país.
No 4.º ano de curso de Enfermagem, mesmo na reta final, Maria Ana Sales Spratley mostra-se "otimista", tanto com a entrada no mercado de trabalho, como com a capacidade do Sistema Nacional de Saúde proporcionar bons cuidados. "Considero o SNS português um sistema acessível para os seus utentes, um sistema que se empenha em prevenir e proteger a sua população", diz a estudante, que acredita no "potencial" do organismo.
A Enfermagem "vive um momento de mudança" e, por isso, torna-se importante olhar para o passado e perceber bem o presente para poder idealizar melhor ainda o futuro. É essa a convicção de Óscar Ferreira, presidente da direção da Associação Nacional de História da Enfermagem (ANHE), que, a poucos dias do terceiro simpósio internacional da associação, partilha as suas expectativas para o evento e destaca algumas temática e parcerias.
"Atualmente, tudo parece começar e acabar na Enfermagem Médico-Cirúrgica, mas estamos em crer que a Especialidade de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica terá de ser uma realidade nos tempos vindouros." Esta é a convicção de Pedro Filipe Vasconcelos, enfermeiro, membro do Departamento de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica da Associação Portuguesa de Enfermeiros (APE), que organiza, nos dias 20 e 21 de outubro, a iniciativa "Doente Crítico'17". O evento terá lugar na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa e engloba o 4.º Encontro de Enfermagem de Emergência e as 10.ªs Jornadas de Enfermagem de Cuidados Intensivos.

