ICN quer ter voz ativa na definição de políticas para a saúde

segunda, 24 abril 2017 10:02 Lindsey Williamson, diretora de comunicação do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN)

Enfermeiros portugueses apresentam pesquisas no Congresso ICN "Ao garantir que a experiência e os inputs dos enfermeiros façam parte da formulação e implementação de políticas, podemos cuidar não só da nossa profissão, mas também dos nossos pacientes e garantir que toda a gente tenha acesso a cuidados de enfermagem de qualidade", afirma Lindsey Williamson, diretora de comunicação do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN), que, à margem do Congresso ICN, que se vai realizar de 27 de maio a 1 de junho, em Barcelona, fala do evento e do trabalho desenvolvido pela instituição.

 

Jornal Enfermeiro | O ICN representa, atualmente, 130 associações de enfermeiros. Em que consiste o vosso trabalho e qual a sua importância?

Lindsey Williamson | Sendo diretora de comunicação, o meu trabalho é muito variado e entusiasmante. O departamento de comunicação apoia a missão do ICN de representar os enfermeiros de todo o mundo, promovendo a profissão e influenciando as políticas de saúde. Fazemos isso promovendo liderança e dando apoio legal aos enfermeiros, elevando o perfil da enfermagem e do ICN, promovendo e divulgando as atividades e serviços do ICN e facilitando a solidariedade e cooperação.

JE | Qual o panorama da enfermagem a nível mundial?

LW | O ICN tem mais de 130 membros por todo o mundo, há grande diversidade entre os nossos membros, bem como na profissão de enfermagem. Contudo, os enfermeiros partilham muitos dos mesmos desafios e oportunidades independentemente de onde estão. O objetivo do ICN é reunir todos estes diferentes enfermeiros para que possamos aproveitar ao máximo as oportunidades e encontrar soluções para os desafios. Uma forma de fazer isso é trazendo a voz da enfermagem para as mesas de todo o mundo - como a Assembleia Mundial da Saúde. Ao garantir que a experiência e os inputs dos enfermeiros façam parte da formulação e implementação de políticas, podemos cuidar não só da nossa profissão, mas também dos nossos pacientes e garantir que toda a gente tenha acesso a cuidados de enfermagem de qualidade.

JE | Em maio, vão realizar o vosso congresso, que é considerado o maior evento internacional de enfermeiros. Quais os objetivos do congresso e quais são as vossas expetativas para esta edição?

LW | Estamos todos muito entusiasmados com o Congresso ICN 2017, em Barcelona, o maior encontro de enfermeiros do mundo! O congresso tem como objetivo mostrar a contribuição da enfermagem para políticas de saúde informadas e sustentáveis, apoiar a contribuição da enfermagem para cuidados de saúde baseados em evidências, encorajar à resolução dos problemas da saúde e proporcionar oportunidades para um intercâmbio aprofundado de experiências e conhecimentos dentro e fora da comunidade internacional de enfermagem. Temos alguns oradores de grande relevância este ano e um monte de novos eventos e oportunidades para network.

JE | Dos temas que serão abordados, quais destacaria e porquê?

LW | O tema geral do Congresso é "Enfermeiros na vanguarda transformam cuidados" e dividimos o programa em diferentes temas diários. O primeiro dia concentra-se em sistemas de saúde, olhando para modelos de cuidados primários inovadores e para a forma como os enfermeiros respondem aos desafios da saúde e fortalecem os sistemas de saúde. No segundo dia de congresso vamos olhar para a sustentabilidade dos cuidados de saúde, catástrofes e conflitos e vamos ter alguns oradores incríveis que vão falar de desenvolvimento sustentável e da capacitação das mulheres, sobre como a saúde pública está a atingir os objetivos de desenvolvimento sustentável e sobre a preparação para desastres e conflitos na enfermagem. O terceiro dia irá concentrar-se na qualidade e segurança dos profissionais e do local de trabalho, olhando especificamente para a segurança dos enfermeiros, advocacia, género e direitos dos trabalhadores. O último dia do congresso irá destacar as práticas profissionais e inovações políticas e teremos a oportunidade de descobrir algumas das políticas inovadoras e mudanças práticas que os nossos membros vão mostrar.

JE | Qual a relevância desta troca de experiências, entre profissionais de diferentes países e culturas ?

LW | Não há nada como o Congresso ICN em lugar nenhum! Já temos mais de 7.000 participantes inscritos, de todo o mundo. O congresso oferece e estes enfermeiros a oportunidade, não só de se relacionar, compartilhar e aprender uns com os outros, mas também a oportunidade única de ouvir alguns líderes de enfermagem de grande gabarito, incluindo a Dra. Mary Wakefield, Julia Duncan, Linda Aiken e Leslie Mancuso. Também teremos alguns palestrantes de outros campos, como Katja Iversen, presidente e CEO da Women Deliver, Lord Nigel Crisp, co-presidente do UK’s All Party Parliamentary Group on Global Health, ou a ministra liberiana Julia Duncan Cassell e isto só para citar alguns nomes. A diversidade de palestrantes e participantes cria uma experiência de aprendizagem para todos.

JE | O evento começa com a Assembleia de Estudantes de Enfermagem. É importante envolver os estudantes neste tipo de eventos? Porquê? Os congressos são uma parte importante da formação?

LW | Os estudantes de enfermagem são a força de trabalho do futuro e, por isso, é muito importante incluir os alunos no congresso e oferecer-lhes a oportunidade de aprender com os outros e compartilhar as suas experiências. A educação varia em todo o mundo e o Congresso ICN oferece aos alunos a oportunidade de aprender diferentes perspetivas e sobre como a força de trabalho de enfermagem está a encontrar soluções para muitos desafios. O Congresso do ICN é também uma plataforma para uma educação contínua e os participantes podem ganhar alguns créditos - International Continuing Education Credits (ICNECs).

JE | Esperam participantes de muitos países? Já há enfermeiros portugueses inscritos no evento?

LW | Atualmente, temos mais de 7.000 enfermeiros inscritos para o Congresso ICN, representando 124 países. Temos 33 participantes de Portugal, vários dos quais vão apresentar pesquisas, numa das sessões.

JE | Depois da Austrália e Espanha, Portugal poderá ser um candidato a receber o Congresso ICN, nos próximos anos?

LW | O ICN quer trabalhar a nível regional e está a planear realizar vários eventos em diferentes regiões do mundo. Todos os membro do ICN podem candidatar-se para acolher um dos nossos congressos internacionais e temos o prazer de anunciar que a primeira Cimeira de Regulação e Credenciamento do ICN será realizada em Portugal, em outubro deste ano. Vamos anunciar mais novidades sobre o evento em breve.

JE | Recentemente, a Ordem dos Enfermeiros de Portugal passou a ser membro tradicional no ICN, deixando que representar todas as associações de enfermeiros portugueses. Como é que o ICN viu esta mudança?

LW | Enquanto voz mundial dos enfermeiros , é importante que o ICN represente verdadeiramente a maioria dos enfermeiros de todo o mundo. Foi por esta razão que introduzimos diferentes tipos de membros.

Na categoria de membro tradicional, a associação de enfermagem que representa a maioria dos enfermeiros no país é considerada como membro de pleno direito. No caso de a associação representar menos de 6% dos enfermeiros no país, também se podem candidatar alguns membros adicionais. O ICN tem ainda outras três categorias de membros que permitem que as associações se agrupem para assegurar a representação total dos profissionais de enfermagem do país. A flexibilidade destas categorias de membros permite que o ICN fale, verdadeiramente, em nome dos enfermeiros de todo o mundo.

angeladosvais@newsengage.pt