Entrevistas

Enfermagem: prática durante o curso é essencial para a vida profissional

14 Ago. 2017

Enfermagem: prática durante o curso é essencial para a vida profissionalInês Pereira, aluna da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, considera que os cerca de dois anos de curso passados em ensinos clínicos foram fundamentais para a preparação para o mundo do trabalho: "O ambiente criado pelas equipas de enfermagem e a integração e reconhecimento dos alunos foi muito compensador. Sem dúvida que são estas experiências reais que nos preparam para a vida profissional", afirma.

 

Enfermagem porque...

Desde cedo conheci esta profissão. Ter familiares com esta profissão ajudou a este conhecimento e a optar por este caminho. Como conhecia a profissão e as funções desenvolvidas pelos enfermeiros sabia que me iria identificar com este trabalho. Já afirmava Confúcio, na Grécia Antiga, "escolhe um trabalho que gostes e não terás que trabalhar um dia da tua vida". Este é o porquê da escolha de enfermagem e, estando agora na reta final do curso, é com muito gosto que ainda acredito na frase que citei em cima. É, sem dúvida, uma profissão pela qual me sinto completamente apaixonada.

Ligação com a área

Três pessoas da minha família são enfermeiras. Como cresci com elas, sempre foi uma realidade que esteve presente na minha família. Não era o facto de eles levarem o trabalho para casa, mas durante o jantar existia sempre um tópico que levava a falar do tema e da profissão. Isto fez-me crescer a conhecer factos e realidades da profissão, algo que não teria acontecido se não tivesse familiares enfermeiros.

A escolha da universidade

Sendo eu de Coimbra e conhecendo muito bem a cidade também ouvia o lema de que a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra é a "maior, melhor e mais antiga escola de enfermagem do país". Ser eu de Coimbra e não ter que me deslocar do meu meio, do conforto da casa dos pais e poder estar no que eu sabia ser uma escola de ensino superior caracterizada pelo seu valorado ensino prestado, foi uma opção fácil. Além destes factos, o fator de existir vagas específicas para alunos na região de Coimbra, independentemente de não precisar destas vagas específicas, fez-me sentir mais confortável e à vontade com a escolha.

O curso

Considero que, no que toca a algo que eu gosto, sou uma pessoa exigente. Mas, ao mesmo tempo, sei que quanto menos expetativas criar sobre os assuntos mais agradada me vou sentir com eles. Ou seja, tentei entrar no primeiro ano sem expetativas elevadas e esperar pelo que iria acontecer nos meus quatro anos de curso. Este foi o meu 4.º ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem e posso afirmar que, mesmo os alunos não entrando com expetativas elevadas em relação ao curso, logo no primeiro dia de integração na escola estas expetativas são criadas e são, sem dúvida, colocadas num nível altíssimo, por tudo o que é dito e apresentado nos dias de integração ao primeiro ano. Ou seja, mesmo tendo eu tentado não criar expetativas em relação do curso, o meio envolvente criou-as e, neste momento, consigo afirmar que mesmo as expetativas sendo muito altas, foram todas alcançadas e ultrapassadas.

A formação da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra está, sem dúvida, adequada à prática clínica. O facto de termos contacto com diversas áreas de ensino clínico no que diz respeito à enfermagem é muito produtivo. Não digo com isto que a formação é perfeita e que nada tem que ser mudado, não. Até porque quando se pretende uma formação de excelência é necessário uma contante mudança e adequação aos contextos. Algo que, sem dúvida, acontece na ESEnfC.

Com a formação da ESEnfC e com todas as oportunidades criadas pela escola consigo afirmar que me sinto preparada para exercer a profissão. Claro que este exercício da profissão estará sempre condicionado pelo meio de trabalho onde vou estar inserida, mas consigo dizer que a ESEnfC me deu os meios para me conseguir integrar em qualquer dos meios de trabalho enquanto enfermeiro.

Os desafios

O maior desafio de todos no curso foi conseguir encontrar tempo nas 24 horas dos dias para conseguir realizar tudo o que é possível fazer nesta escola. As oportunidades são tantas que, quando se quer, os desafios apenas se tornam em conquistas, tanto pessoais como interpessoais. Uma das frases que foi passando de geração em geração na Associação de Estudantes da ESEnfC afirma que "o desafio pode ser grande, mas nunca será maior que a nossa vontade!". Assim, quando quero olhar para trás e pensar nos desafios que o curso me trouxe apenas consigo ver oportunidades para integrar a vida ativa da ESEnfC. O curso em si é um desafio quando se quer e se tenta ser distinguido pelo mérito. Além desta questão, o facto de me ter sido lançada a oportunidade de participar durante dois anos num órgão da escola, o Conselho Pedagógico, e poder atualmente liderar a Associação de Estudantes da ESEnfC são, sem dúvida, as oportunidades/desafios que me marcam durante este curso.

Quais os maiores desafios que espero ter enquanto profissional? Sinceramente não sei. Penso que o maior desafio enquanto profissional será a mudança de paradigma de estudante/profissional, algo que ainda estou a pensar muito bem se quero mudar ou não...

Experiência 'in loco'

O Curso de Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra é extremamente prático. Além de todas as práticas realizadas nos laboratórios equipados com material para o treino, realizamos cerca de dois anos de curso em ensinos clínicos nas diferentes áreas de enfermagem. Assim, posso afirmar que já tive diversas experiências in loco e que em todas elas me identifiquei, tendo tido um aproveitamento tanto pessoal como profissional muito positivo. Nunca é o que se espera, mas, no meu caso, posso dizer que foi melhor. O ambiente criado pelas equipas de enfermagem e a integração e reconhecimento dos alunos foi muito compensador. Sem dúvida que são estas experiências reais que nos preparam para a vida profissional.

Preocupações

A principal preocupação para todos é, sem dúvida, o encontrar emprego na área. Atualmente, e tendo em conta todas as oportunidades que estão e existir, este paradigma de encontrar trabalho em enfermagem está a mudar. Considero que, tanto eu como os meus colegas que vão acabar o curso este ano, estamos mais confiantes em relação ao futuro. Pensamos menos que a emigração pode vir a ser obrigatória e focamos no facto de estarem a surgir cada vez mais posto de emprego na área, ou seja, que estão a ser criadas oportunidades dentro do próprio país, para os recém-licenciados.

Depois do curso, Portugal ou estrangeiro?

Quero exercer a profissão em Portugal. Primeiro, considero que depois de todo o dinheiro investido pelo governo português a nível da educação, não faz sentido, para mim, ir dar o meu contributo noutro país. Em segundo, durante o curso tive oportunidade de realizar um período de mobilidade ERASMUS, em Londres, onde foi possível ter noção do papel do enfermeiro noutro país, bem como o ensino desta profissão lá. Percebi que, passados estes anos de aprender a profissão como ela é entendida em Portugal, não me identifico com este papel no exterior, sendo mais uma das razões que me fazem querer exercer em Portugal.

Se pudesse voltar atrás...

Escolheria exatamente o mesmo caminho e nem as pedras ao longo deste percurso movia. Foram quatro anos incomparáveis, um trajeto que nunca pensei vir a gostar tanto. O único defeito é que, ao olhar para trás, parece que passei este caminho todo a correr. Mas é bom poder afirmar que é um trajeto do qual estou muito orgulhosa.

Anuário

Anuário Enfermeiro 2019

PUB