Atualidade

Material clínico no bolso da farda nem sempre segue boas práticas

15 Nov. 2017

Um investigador da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) concluiu, no seu projeto de mestrado, que o armazenamento do material clínico de bolso pelos enfermeiros nem sempre respeita as boas práticas. Paulo Costa alerta para a necessidade de uma gestão mais eficiente e segura do material de forma a garantir a segurança dos cuidados.

O enfermeiro Paulo Costa diz ser uma "realidade vigente em muitas das unidades de cuidados em contexto nacional" situações em que "o material clínico que os enfermeiros transportam e armazenam no seu bolso da farda clínica não respeita princípios cruciais de boas práticas, seja a nível da sua higienização, seja na reutilização entre utentes e partilha entre profissionais".

Foram recolhidos dados junto de 50 enfermeiros que prestam cuidados diretos a utentes em quatro serviços de medicina interna de um hospital da zona centro do país. 92% dos inquiridos referiu partilhar o material clínico de bolso com outros enfermeiros, médicos, técnicos superiores de saúde e assistentes operacionais, nomeadamente para procedimentos como punção venosa periférica, otimização de cateter venoso periférico e otimização de sonda nasogástrica e tratamento de feridas. Referiram ainda que todos já reutilizaram o material com múltiplos utentes.

No mesmo estudo o investigador apercebeu-se que "um número significativo de enfermeiros higieniza estes equipamentos", mas as técnicas e produtos utilizados "não estão sistematizados nas unidades". Uma avaliação microbiológica permitiu verificar uma taxa de presença microbiana de 53%, sendo o garrote, o rolo de adesivo e a tesoura os materiais com maior presença de microorganismos.

O acesso rápido em caso de necessidade, a distância à sua zona de armazenamento e a escassez que determinados materiais clínicos apresentam nas unidades foram os aspetos nomeados pelos enfermeiros para justificar o transporte e armazenamento de material clínico no bolso da farda.

"A utilização de materiais clínicos de uso único descartáveis ou a introdução de materiais reutilizáveis, que cumpram requisitos específicos de normas nacionais e internacionais de referência, devem ser promovidas pelos gestores em saúde, dado o seu impacto na qualidade e segurança dos cuidados prestados", afirma o autor do estudo, que defende , entre outras medidas, "formação contínua a nível da prevenção e controlo de infeções associadas aos cuidados de saúde" para todos os profissionais.

O estudo foi apresentados na European Scientific Conference on Applied Infectious Disease Epidemiology, em Estocolmo, e, nesse âmbito, foi-lhe atribuída uma bolsa, pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, para disseminação dos resultados obtidos.

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