Opinião

Reabilitação respiratória em contexto domiciliário – Desafios ao enfermeiro de reabilitação

21 Abr. 2021

Os desafios que se têm colocado aos enfermeiros de reabilitação estão no centro deste artigo, assinado Vânia Viveiros, Rafaela Almeida, Raquel Costa, Maria Lima, Vera Medeiros e Lázaro Rodrigues, que integram a equipa de ER do Centro de Saúde Ponta Delgada.

O projeto Enfermagem de Reabilitação em Contexto Domiciliário (RRD) surgiu em 2010 com o intuito de dar resposta às necessidades, no âmbito da Enfermagem de Reabilitação (ER), da população admitida na Equipa de Apoio Integrado Domiciliário (EAID) do Centro de Saúde de Ponta Delgada (CSPD), da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM). População esta maioritariamente idosa e com elevada dependência.

Os cuidados prestados são em Reabilitação Respiratória (RR) e Deglutição Comprometida (DC).

Este projeto, avaliado anualmente, foi conhecendo várias reestruturações que hoje resultam num programa que tem como objetivo geral otimizar as funções do utente com sequelas e complicações relacionadas com a sua situação clínica ao nível cardiorrespiratório.

A partir de janeiro de 2020, a equipa de ER ganhou independência funcional da EAID e alterou a sua população alvo. Em junho, admitiu as crianças seguidas no serviço de Cinesiterapia Respiratória do Hospital Divino Espírito Santo, que encerrou devido à pandemia. 

Em novembro, como consequência do agravamento da situação pandémica em São Miguel, houve necessidade de reestruturar a prestação de cuidados. A RRD é um procedimento de risco para contágio pelo SARS-CoV-2, o que determinou a redução do número de visitas ao domicílio. A RRD passou a destinar-se exclusivamente aos utentes com risco elevado de agudização da patologia respiratória e consequente internamento. Iniciou-se a telecinesiterapia respiratória (consiste na realização de exercícios respiratórios por videochamada), procedimento eficaz e seguro que permitiu a continuidade de cuidados aos utentes (método inovador já implementado pela APFQ).

No ano de 2020 admitimos 40 utentes, dos quais 95% em RR e 5% em DC.

A taxa de resolução diagnóstica após a intervenção do ER variou entre os 87 e os 100%. Estes bons resultados permitiram reduzir a taxa de internamento na ordem dos 81%, nos utentes que haviam sido internados no ano anterior à admissão. O que representou uma poupança para o SRS na ordem dos 31.551 euros (cálculos efetuados através da portaria 207/2017).

O nosso programa tem contribuído para a diminuição das agudizações de patologia respiratória, do número de internamentos hospitalares evitáveis, com consequente redução de custos para o SRS e melhoria da qualidade de vida do utente e família. 

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