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	<title>Opinião Archives - Jornal Enfermeiro</title>
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	<title>Opinião Archives - Jornal Enfermeiro</title>
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		<title>O papel do Enfermeiro Gestor na prevenção do burnout nas suas equipas</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/o-papel-do-enfermeiro-gestor-na-prevencao-do-burnout-nas-suas-equipas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 12:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O burnout deixou de ser um conceito académico para se tornar uma realidade quotidiana nos serviços de saúde. Entre rácios insuficientes, turnos exigentes e pressão constante, os enfermeiros enfrentam um desgaste silencioso que compromete profissionais e cuidados. Neste contexto, o papel do enfermeiro gestor assume-se decisivo na prevenção, na motivação das equipas e na construção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O <em>burnout</em> deixou de ser um conceito académico para se tornar uma realidade quotidiana nos serviços de saúde. Entre rácios insuficientes, turnos exigentes e pressão constante, os enfermeiros enfrentam um desgaste silencioso que compromete profissionais e cuidados. Neste contexto, o papel do enfermeiro gestor assume-se decisivo na prevenção, na motivação das equipas e na construção de ambientes de trabalho mais humanos e sustentáveis. Leia o artigo de opinião de Beatriz Rampazzo, enfermeira da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, Hospital Santo André, na Unidade de Intermédios Polivalente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, muito se discute acerca do <em>burnout</em>, conceito cada vez mais estudado e transversal a várias áreas de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Christina Maslach, psicóloga americana, definiu-o como uma síndrome caracterizada por stresse crónico diretamente relacionado com o ambiente de trabalho que, quando não gerido com sucesso, resulta em sentimentos de exaustão emocional, despersonalização e falta de realização pessoal (Maslach et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A autora construiu o “<em>Maslach Burnout Inventory”</em>, um instrumento de avaliação utilizado para avaliar a síndrome de <em>burnout</em>, tendo em conta três principais dimensões: a exaustão emocional, relacionada com o esgotamento de energia física e emocional; a despersonalização, muitas vezes descrita como o cinismo e a distância sentida pelo colaborador relativamente ao trabalho e às pessoas ao seu redor; e a falta de realização profissional, relacionada com um sentimento de ineficácia ocupacional e, consequentemente, fator de desmotivação no ambiente de trabalho (Bruyneel et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu pela primeira vez esta síndrome em 2019, e em janeiro de 2022, integrou-a na sua Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Neste contexto, o <em>burnout foi definido</em> como um “fenómeno ocupacional” relacionado com o local de trabalho que conduz a sentimentos negativos e à sensação de infelicidade profissional, não sendo considerada uma doença mental e recomenda que o seu diagnosticado seja realizado após a exclusão de outras doenças, não relacionadas com o ambiente no trabalho (OMS, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2022, o <em>Stada Health Report </em>revelou que em Portugal, mais de metade (57%) da população relataram sentir-se próximos de vivenciar <em>burnout</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na área da saúde, a enfermagem é a área de maior representatividade profissional (OMS, 2025). A <em>Health Education Authority</em> classifica a profissão de enfermagem como a quarta profissão mais stressante no setor público (Felgueiras, &amp; Silva, 2023). Este grupo profissional é confrontado diariamente com desafios e dilemas que exigem a adequação e mobilização de estratégias de <em>coping</em> eficaz. Fatores como a sobrecarga de trabalho diretamente relacionada com a falta de recursos materiais e os rácios enfermeiro-doente, os turnos rotativos e as condições de trabalho são os principais contribuidores da exaustão emocional em contexto laboral, afetando a saúde mental dos enfermeiros e, consequentemente o trabalho por eles realizado, o que compromete a qualidade do serviço prestado aos utentes (Dall’Ora et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais sintomas descritos na literatura para ilustrar a condição são: existência de fadiga persistente (mesmo após o descanso [folgas ou férias]); o absentismo / vontade de faltar ao trabalho; falta de envolvimento emocional nas relações enfermeiro-utente; dificuldade na concentração nas tarefas realizadas e na tomada de decisões; queixas físicas recorrentes (mialgias, cefaleias, insónias, entre outros); isolamento no trabalho e o sentimento de inutilidade; desvalorização ou baixa autoestima no âmbito profissional (Pita et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incidência de casos entre enfermeiros aumentou durante o período de pandemia <em>COVID-19</em>. Estudos realizados em unidades de cuidados intensivos descrevem que o risco de <em>burnout</em> está intimamente ligado à intenção dos enfermeiros em deixarem a profissão. Bruyneel et al (2023) demonstraram, através de um estudo realizado em 68 unidades de cuidados intensivos de diferentes hospitais belgas, que 17,6% dos enfermeiros corriam elevado risco de vir a desenvolver <em>burnout</em>, uma vez que apresentavam alto risco nas três subdimensões monitorizadas (exaustão emocional, despersonalização e realização profissional). Ainda neste estudo, 71,6% dos enfermeiros que participaram revelaram elevado risco em pelo menos uma das subdimensões do <em>burnout</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, estudos demonstram que quase metade dos enfermeiros, principalmente os que trabalham em hospitais públicos, apresentam risco moderado a elevado de desenvolver <em>burnout</em>. Borges et al (2021), através de um estudo multicêntrico, apuraram que 42% dos enfermeiros portugueses apresentam risco moderado a elevado de desenvolver esta síndrome, revelando que estas taxas aumentam quando se trata de enfermeiros mais jovens e a trabalharem por turnos rotativos. Como forma de prevenir o aparecimento da síndrome, Rocha et al (2025), salientam a importância de serem implementadas estratégias de desenvolvimento de resiliência e da promoção de fatores de proteção, como a estabilidade no emprego, a experiência adquirida e o descanso adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em consideração os dados acima mencionados e reconhecendo que nos últimos anos o <em>burnout</em> entre profissionais de enfermagem tem sido uma preocupação crescente, é crucial refletir sobre esta temática e compreender a importância do papel do enfermeiro gestor nestas equipas, com o objetivo de prevenir a incidência deste fenómeno.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário dos modelos clássicos de gestão, centrados em estruturas hierárquicas rígidas e na eficiência técnica, as abordagens contemporâneas de liderança valorizam cada vez mais a pessoa, a motivação das equipas e a qualidade da relação entre líder e liderados. Assim sendo, cabe ao gestor de enfermagem investir em intervenções que promovam a motivação profissional dos elementos da sua equipa e estar alerta para sinais de <em>burnout </em>e fatores de risco predisponentes ao surgimento do problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Teoria Situacional de Hersey e Blanchard, proposta em 1986, sustenta que a eficácia da liderança depende da relação estabelecida entre líder e liderado, sendo otimizada pelo alinhamento entre o nível de competência dos colaboradores e o estilo de liderança adotado. Estes estilos podem diferir entre si, não existindo um considerado ideal em todas as circunstâncias. O modelo defende que o líder deve proporcionar um ambiente favorável e disponibilizar os recursos necessários para que o trabalhador desenvolva e execute as suas tarefas de forma eficiente, assumindo, simultaneamente, uma postura de liderança dinâmica e eficaz (Birchal &amp; Vilela, 2012). Assim, à luz deste pressuposto, torna-se incontornável refletir sobre a relevância do papel dos gestores de enfermagem na motivação dos enfermeiros das suas equipas e no reconhecimento das características individuais de cada elemento que as integra. Posto isto, cada vez mais se tem falado da importância da implementação de estratégias como o <em>teambulding</em>, descrito como um conjunto de processos e atividades realizadas em grupo com o objetivo de fomentar a coesão, a comunicação eficaz, a confiança mútua, a definição de funções claras e a capacidade de colaboração (Wienclaw, 2021). São utilizadas não só para motivar as equipas no seu ambiente de trabalho, mas também como forma de os elementos se conhecerem em ambientes fora do contexto laboral, numa perspetiva mais pessoal e dinâmica. Também permitem que os colaboradores se conheçam melhor, contribuindo para ambientes laborais positivos e para a felicidade no trabalho. Por exemplo, literatura recente acerca da felicidade no trabalho concluiu que fatores como o apoio social entre pares, o clima entre equipa favorável e a sensação de pertença aos grupos são fatores determinantes e que conduzem a níveis de maior bem-estar e satisfação profissional (Saritha &amp; Mukherjee, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra ferramenta que tem sido apontada como efetiva na redução de sintomas relacionados com o <em>burnout</em> é o <em>Mindfulness-Based Stress Reduction</em> (MBSR), em português “Redução de Stresse Baseada em Atenção Plena”, prática promotora também de autocompaixão, ajudando os indivíduos a enfrentar as adversidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exercícios de relaxamento, musicoterapia, MBSR, yoga, meditação ou aromaterapia, são outros exemplos práticos, baratos e fáceis de aplicar às equipas e que estão comprovados como promotores de bem-estar nos grupos de trabalho (Hsu et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição do enfermeiro de acordo com as suas competências e apetências pode também manter os colaboradores motivados e satisfeitos. Tendo em consideração as teorias mais modernas que defendem o achatamento hierárquico, ou mais vulgarmente conhecido “<em>downsizing</em>”, acredita-se que os gestores de enfermagem ao deterem uma maior autonomia e capacidade de intervir nas decisões dos seus superiores hierárquicos, conseguem implementar e adotar ferramentas de apoio ao colaborador na promoção do <em>burnout.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sua posição privilegiada nas tomadas de decisão permite a promoção de iniciativas que conduzam à participação dos enfermeiros em formações/<em>workshops</em> relacionados com inteligência emocional (Soriano-Vázquez, 2023; Catalão et al., 2024), a gestão de stresse e o autocuidado no trabalho (Lopes et al., 2022); a gestão de conflitos (Soriano-Vázquez, 2023), de forma que os profissionais sejam capazes de identificar ferramentas úteis no reconhecimento dos seus limites, sinais de exaustão laboral e estratégias para lidar com situações de stresse. Também a disponibilização de apoio pela psicologia com consultas gratuitas para os profissionais podem ser uma alternativa, assim como a criação de grupos de terapia de pares em que os profissionais possam partilhar as suas preocupações e desafios do dia-a-dia (Carbone et al., 2022; Sanz et al, 2024). Aliado ao acima mencionado, não se deve ignorar o mais recente conceito em gestão, muito abordado atualmente: a felicidade organizacional, considerada como uma ferramenta de gestão dos tempos modernos. Bakker e Oerlemans (2011) definiu-a como uma abordagem multifacetada em que o trabalhador se encontra satisfeito com a sua atividade profissional, sentindo de forma consistente emoções positivas (como alegria e felicidade) e, mais raramente, emoções negativas (como tristeza e raiva). As novas orientações para a colaboração defendem a promoção do diálogo entre os profissionais e as suas chefias, num ambiente de confiança, cooperação, respeito mútuo e de valorização profissional. É fundamental que o colaborador se sinta ouvido pelo seu gestor e que participe nos processos de tomada de decisão, principalmente quando estes o envolvem diretamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para se implementarem ambientes de felicidade é necessário recorrer-se a estratégias de prevenção do <em>burnout</em>, envolvendo todos os <em>stakeholders</em>. Para tal, torna-se importante que os enfermeiros gestores e cada elemento das equipas participem ativamente nas revisões de políticas institucionais internas e que cultivem uma cultura de valorização e reconhecimento do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podem-se abordar estratégias mais práticas e que envolvem as hierarquias superiores, mas que ajudam a diminuir a sobrecarga sobre os trabalhadores, como é o exemplo da revisão do número de enfermeiros nas equipas, melhorando o rácio enfermeiro-doente e, consequentemente, diminuindo a sobrecarga sobre os profissionais e o desgaste físico e emocional dos mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, também a gestão de conflitos pelo enfermeiro chefe deve ser entendida de uma forma positiva e construtiva, não devendo ser evitada ou ignorada. Temas como a cooperação, o trabalho em equipa e a partilha de conhecimentos são fulcrais para a promoção de um ambiente acolhedor no espaço laboral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enfermeiro gestor desempenha um papel central na prevenção do <em>burnout</em> nas suas equipas. Cabe-lhe promover o bem-estar laboral, recorrendo a estratégias como: <em>teambuilding</em>, atividades ao ar livre e de mindfulness, bem como <em>workshops</em> sobre inteligência emocional, gestão do stresse, gestão de conflitos, autocuidado no trabalho e programas de formação contínua. Deve, igualmente, manter-se atento a sinais precoces de <em>burnout</em>, promovendo diálogos abertos e pequenas reuniões que permitam ao trabalhador sentir-se ouvido, valorizado e envolvido nos processos de tomada de decisão. A adequação dos postos de trabalho às características individuais dos enfermeiros e o ajuste dos rácios são também fatores fundamentais para reforçar a motivação laboral.<br>Torna-se, assim, cada vez mais evidente a necessidade de envolver os enfermeiros da prática, os enfermeiros gestores e os superiores hierárquicos das instituições de saúde na construção de políticas de gestão que priorizem a saúde física e mental das equipas de enfermagem, contribuindo, em última análise, para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados aos utentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Bakker, A., &amp; Oerlemans, W. G. M. (2011). Subjective well-being in organizations. In K. S. Cameron &amp; G. M. Spreitzer (Eds.), <em>The Oxford handbook of positive organizational scholarship</em> (pp. 178–189). Oxford University Press. <a href="https://doi.org/10.13140/2.1.1145.4723">https://doi.org/10.13140/2.1.1145.4723</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Birchal, F. F. S. &amp; Vilela, C. (2012). Um estudo sobre o modelo de liderança situacional de Paul Hersey e Kenneth Blanchard em uma empresa brasileira de pequeno porte. <em>In </em><em>Book of Proceedings – Tourism and Management Studies International Conferenc</em>e, 462-478. Algarve, Portugal: ESGHT, Universidade do Algarve. <a href="https://www.tmstudies.net/plugins/generic/pdfJsViewer/pdf.js/web/viewer.html?file=https%3A%2F%2Fwww.tmstudies.net%2Findex.php%2Fectms%2Farticle%2Fdownload%2F437%2F735%2F1920">https://www.tmstudies.net/plugins/generic/pdfJsViewer/pdf.js/web/viewer.html?file=https%3A%2F%2Fwww.tmstudies.net%2Findex.php%2Fectms%2Farticle%2Fdownload%2F437%2F735%2F1920</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Borges, E. M. N., Queirós, C. M. L., Abreu, M. S. N., Mosteiro-Diaz, M. P., Baldonedo-Mosteiro, M., Baptista, P. C. P. … Silva, S. M. (2021). Burnout among nurses: a multicentric comparative study. <em>Revista Latino-Americana de Enfermagem</em>, 29, 3432-3441. <strong>DOI: </strong>10.1590/1518-8345.4320.3432</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Bruyneel, A., Bouckaert, N., Noordhout, C. M., Detollenaere, J., Kohn, L., Pirson, M. … Van den Heede, K. (2023). Association of burnout and intention-to-leave the profession with work environment: A nationwide cross-sectional study among Belgian intensive care nurses after two years of pandemic. <em>International Journal of Nursing Studies</em>, 137, 1-9. <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0020748922002140?via%3Dihub">https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0020748922002140?via%3Dihub</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Carbone, R., Ferrari, S., Callegarin, S., Casotti, F., Turina, L., Artioli, G., &amp; Bonacaro, A. (2022). Peer support between healthcare workers in hospital and out-of-hospital settings: a scoping review. <em>Acta Biomed</em>, <em>93</em>(5). <strong>DOI:</strong> 10.23750/abm.v93i5.13729.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Catalão, M.J., Carrajola, N., Gomes, B., &amp; Silva, R. (2024). O impacto da inteligência emocional no cuidar do enfermeiro em cuidados intensivos: revisão integrativa da literatura. <em>Revista de Investigação &amp; Inovação em Saúde, 7</em>(3), 1-12. <a href="https://doi.org/10.37914/riis.v7i3.352">https://doi.org/10.37914/riis.v7i3.352</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Dall’Ora, C., Ball, J., Reinius, M., &amp; Griffiths, P. (2020). Burnout in nursing: a theoretical review<em>. Human Resources for Health</em>, <em>18</em>(41), 1-17. <a href="https://doi.org/10.1186/s12960-020-00469-9">https://doi.org/10.1186/s12960-020-00469-9</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Felgueiras, F., &amp; Silva, P. (2023). Burnout nos Enfermeiros. <em>Açoriano Oriental</em>. <a href="https://www.ordemenfermeiros.pt/media/28549/26_03_2023-21848-p%C3%A1gina-1-geral.pdf">https://www.ordemenfermeiros.pt/media/28549/26_03_2023-21848-p%C3%A1gina-1-geral.pdf</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Hsu, H. C., Lee, H. F., Hung, H. M., Chen, Y. L., Yen, M., Chiang, H. Y. … Mu, P. F. (2024). Effectiveness of Individual-Based Strategies to Reduce Nurse Burnout: An Umbrella Review. <em>Journal of Nursing Management</em>, 2024, 1-13. <strong>DOI:</strong> 10.1155/2024/8544725</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Lopes J., Patrício, A., Lopes, D., Duarte, M., &amp; Gomes, J.&nbsp;(2022). Estratégias de Prevenção do&nbsp;<em>Burnout</em>&nbsp;nos Enfermeiros – Revisão da Literatura. <em>Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online</em>, <em>13</em>, 1-15. <strong>DOI:</strong> 10.31252/RPSO.04.06.2022</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Maslach, C., Jackson, S.E., &amp; Leiter, M.P. (2016). <em>Maslach Burnout Inventory Manual</em>. California. <a href="https://pt.scribd.com/document/668951451/Maslach-Manual-Burnout"></a><a href="https://pt.scribd.com/document/668951451/Maslach-Manual-Burnout">https://pt.scribd.com/document/668951451/Maslach-Manual-Burnout</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Organização Mundial da Saúde. (2025). <em>State of the world’s nursing: Investing in education, jobs, leadership and service delivery</em>. (Ed.). Geneva. <a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240110236">https://www.who.int/publications/i/item/9789240110236</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Pita, G. S., Assis, P. C., Rios, A. C. M., Gomes, I. R., &amp; Silva, R. C. S. (2023). Síndrome de Burnout nos trabalhadores de saúde: uma revisão bibliográfica. <em>Brazilian Journal of Health Review</em>, 6(5), 25770-25776. <strong>DOI:</strong> 10.34119/bjhrv6n5-563</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Rocha, A., Costeira, C., Barbosa, R., Gonçalves, F., Castelo-Branco, M., Viana, J., Gaudêncio, M., &amp; Ventura, F. (2025) Burnout protective patterns among oncology nurses: a cross-sectional study using machine learning analysis. <em>BMC Nursing</em>, <em>24</em>(1): 805. <strong>DOI:</strong> 10.1186/s12912-025-03277-5.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Sanz, S., Valiente, C., Espinosa, R., &amp; Trucharte, A. (2024). Psychological Group Interventions for Reducing Distress Symptoms in Healthcare Workers: A Systematic Review. <em>Clin Psychol Psychother</em>, <em>31</em>.&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1002/cpp.2980">https://doi.org/10.1002/cpp.2980</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Saritha, S.R., &amp; Mukherjee, U. (2024). Happiness at Workplace – A Systematic Literature Review. <em>International Journal of Research in Engineering, Science and Management, 7</em>(5), 38-44. <strong>DOI:</strong> 10.5281/zenodo.11180911</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Soriano-Vázquez, I., Cajachagua, M.C., &amp; Morales-García, W.C. (2023). Emotional intelligence as a predictor of job satisfaction: the mediating role of conflict management in nurses. <em>Frontiers in Public Health 11</em>. <strong>DOI:</strong> 10.3389/fpubh.2023.1249020</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">STADA Arzneimittel AG. (2022). STADA Health Report 2022. <a href="https://www.stada.com/media/7197/health-report-2022_final.pdf">https://www.stada.com/media/7197/health-report-2022_final.pdf</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Organização Mundial da Saúde (2022).&nbsp;<em>International Classification of Diseases Eleventh Revision (ICD-11)</em>. Organização Mundial da Saúde. <a href="https://icd.who.int/browse/2025-01/mms/en">https://icd.who.int/browse/2025-01/mms/en</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Wienclaw, R. A. (2021). <em>Teams and team building</em>. EBSCO Research Starters. <a href="https://www.ebsco.com/research-starters/sociology/teams-and-team-building">https://www.ebsco.com/research-starters/sociology/teams-and-team-building</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Enfermagem em Saúde Escolar: uma área insubstituível</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/enfermagem-em-saude-escolar-uma-area-insubstituivel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Dec 2025 12:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Enfermagem em Saúde Escolar tem sido, ao longo de mais de um século, um pilar silencioso da saúde pública em Portugal. Entre a escola e a comunidade, os enfermeiros transformam políticas em ação, respondem a desafios emergentes e afirmam a promoção da saúde como um verdadeiro projeto social e educativo. Leia o artigo de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A Enfermagem em Saúde Escolar tem sido, ao longo de mais de um século, um pilar silencioso da saúde pública em Portugal. Entre a escola e a comunidade, os enfermeiros transformam políticas em ação, respondem a desafios emergentes e afirmam a promoção da saúde como um verdadeiro projeto social e educativo. Leia o artigo de opinião de Pedro Melo, professor adjunto na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto e coordenador do Livro “Enfermagem em Saúde Escolar”, publicado pela Lidel Editora em 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A História da Enfermagem em Saúde Escolar em Portugal é, em si mesma, um testemunho da evolução da saúde pública e da educação: desde a criação dos Centros de Medicina Pedagógica em 1901, que procuravam responder não só às necessidades das crianças, mas também das famílias carenciadas, onde a figura das enfermeiras visitadoras (especialistas em Saúde Pública) eram ponte entre as famílias, comunidades escolares e Estado; até aos dias de hoje, em que a Enfermagem tem sido decisiva para garantir que a escola não é apenas um espaço de instrução, mas também de promoção da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do século XX e XXI, diversos Programas Nacionais de Saúde Escolar (PNSE) foram publicados, reforçando o papel da escola como espaço privilegiado de intervenção em saúde, consolidando a articulação entre educação e saúde. O mais recente (publicado em 2015), integra eixos estruturantes de uma Saúde Escolar orientada para problemáticas contemporâneas. Aguarda-se a publicação do Programa Nacional de Saúde Escolar mais recente, com expetativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quaisquer Programas de Saúde não seriam exequíveis sem a intervenção sistemática e qualificada dos/as enfermeiros/as, que transformam orientações políticas em práticas concretas, no caso do PNSE, junto das comunidades escolares. A Enfermagem em Saúde Escolar envolve diferentes especialidades de Enfermagem, que se complementam para responder às múltiplas necessidades das crianças, dos jovens e da comunidade escolar. Esta diversidade é a chave para garantir cuidados integrais e integrados nas diferentes áreas prioritárias de intervenção. Entre todas as especialidades, a Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública assume um papel central: assegura que os projetos desenvolvidos em contexto escolar são enformados pelo Planeamento em Saúde – só assim se garante que os cuidados prestados não são fragmentados, mas sim parte de uma estratégia coerente e sustentável, que acrescenta valor à comunidade educativa e reforça a segurança e a qualidade dos cuidados – e garante que a Saúde Escolar não é confundida apenas com a saúde das crianças e jovens, mas que assume a comunidade escolar como unidade de cuidados, de uma forma sistémica, potenciando o empoderamento comunitário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num tempo em que a escola é cada vez mais chamada a responder a desafios complexos – da saúde mental ao impacto das desigualdades sociais –, a Enfermagem em Saúde Escolar revela-se insubstituível. Não apenas porque permite uma resposta de proximidade e segura a problemas de saúde, mas sobretudo porque promove competências de vida, autonomia e cidadania. É uma prática que transcende o ato clínico e se afirma como projeto social e educativo. Diria mesmo que é na Enfermagem que se encontra o grande potencial para a Promoção da Saúde, mais do que apenas da prevenção da doença, tornando o processo de cuidados mais salutogénico e que a qualidade dos cuidados de Enfermagem seja uma área fundamental na Governação Clínica no contexto do SNS – com relevância para as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) e as Unidades de Saúde Pública (USP).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos estes pressupostos são explorados no livro publicado em 2025 pela Lidel, <em>Enfermagem em Saúde Escolar</em>, que se revela como referência nacional e internacional nesta área de cuidados. A partir das vendas deste livro, espera-se atribuir anualmente o Prémio de Boas Práticas em Enfermagem de Saúde Escolar Pedro Melo pela Associação Nacional de UCC- AUCC, valorizando, assim, a qualidade dos projetos desenvolvidos nesta área em Portugal.</p>
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		<title>Apelo à Participação Massiva das Mulheres. Um Compromisso de Todos para Salvar Vidas</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/apelo-a-participacao-massiva-das-mulheres-um-compromisso-de-todos-para-salvar-vidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 11:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os membros da Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) Ana Paula Vasconcelos e José Carlos Marques destacam a importância do rastreio nacional do cancro da mama. Os especialistas em Radiologia e Imagiologia mamária enfatizam que o sucesso do programa de rastreio depende de um esforço coletivo, incluindo a participação da sociedade civil e o incentivo dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Os membros da Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) Ana Paula Vasconcelos e José Carlos Marques destacam a importância do rastreio nacional do cancro da mama. Os especialistas em Radiologia e Imagiologia mamária enfatizam que o sucesso do programa de rastreio depende de um esforço coletivo, incluindo a participação da sociedade civil e o incentivo dos profissionais de saúde. A SPS defendeu o alargamento da faixa etária para o rastreio, que agora inclui mulheres dos 45 aos 74 anos, notando também a introdução progressiva da tomossíntese como método primário de rastreio, devido à sua maior acuidade diagnóstica e capacidade de reduzir falsos positivos. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do Outubro Rosa, mês dedicado à prevenção do cancro da mama, reforçamos a importância vital do rastreio nacional, sendo importante louvar e chamar a atenção para as medidas que visam tornar o acesso a este programa nacional ainda mais equitativo e eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, com base na evidência e discussão científicas decorridas nos seus eventos, a Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) tem defendido o alargamento etário do rastreio ao cancro da mama. De forma reiterada indicou e propôs o seu alargamento, passando a incluir os grupos dos 45 aos 49 e também dos 70 aos 74, fundamentada em estudos internacionais como o UK Age trial e o Pan Canadian American, e em consonância com outras das sociedades científicas europeias e americanas. Também as European Guidelines on Breast Cancer Screening and Diagnosis reviu e alargou os grupos etários, em 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É com grande satisfação que vemos concretizada a norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) que veio corresponder à nossa posição de alargamento, desde janeiro de 2025. Com esta medida, a faixa etária elegível para o rastreio foi alargada dos 45 aos 74 anos, um passo crucial para garantir um acesso mais abrangente e contribuir para a redução da mortalidade e a melhoria do diagnóstico precoce.<br>Esta norma prevê igualmente outras alterações, como a introdução e implementação progressiva da tomossíntese como método primário de rastreio, melhorando a acuidade diagnóstica. Em 2022, na publicação do X Consenso Nacional de Cancro da Mama, produzido pelos grupos de peritos da SPS, já as recomendações de rastreio e diagnóstico precoce estabelecem que a mamografia demonstrou ser um método de rastreio eficaz, efetivo e eficiente na redução da mortalidade por cancro da mama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um avanço significativo é a introdução progressiva da tomossíntese como método primário de rastreio. Estudos demonstraram um aumento da taxa de deteção de cancro da mama com a aplicação da tomossíntese, contribuindo para a redução de falsos positivos e de biópsias negativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fora do âmbito do rastreio organizado de base populacional e nas mulheres com mais de 40 anos, idade a partir da qual se verifica um aumento da incidência do cancro da mama, os especialistas recomendam a realização de mamografia, preferencialmente tomossíntese associada a imagem sintetizada, complementada por ecografia, dado que esta associação permite um aumento da taxa de deteção de cancro da mama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entender da SPS, é também importante que as mulheres sejam informadas sobre o seu padrão de densidade mamária, pois esta afeta a deteção do cancro. O rastreio do cancro da mama tem como objetivo detetar lesões malignas antes do aparecimento de sintomas, permitindo um diagnóstico e tratamento precoces, com impacto direto na redução da mortalidade, aumento da esperança e melhoria da qualidade de vida, e redução do recurso a tratamentos agressivos e invasivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Serviço Nacional de Saúde estabelece que o rastreio se destina a mulheres sem sinais nem sintomas de doença mamária, com idade entre os 45 e os 74 anos, e inscritas numa unidade de saúde de cuidados de saúde primários. Mesmo sem alterações visíveis ou palpáveis na mama, é crucial realizar a mamografia de 2 em 2 anos a partir dos 45 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sucesso deste programa é, por isso, um esforço coletivo, com a participação da sociedade civil, no seu conjunto, aliada à comunidade de profissionais de saúde. É muito importante que os colegas, nomeadamente da Medicina Geral e Familiar e outros especialistas envolvidos na saúde da mulher, incentivem as mulheres a participar no rastreio, explicando em que consiste e as suas vantagens. Ao fazê-lo, estarão a contribuir diretamente para a deteção precoce de lesões, permitindo tratamentos mais eficazes e menos invasivos, e, em última instância, a salvar vidas e a melhorar significativamente a qualidade de vida das mulheres em Portugal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cancro da mama continua a ser o tipo de cancro mais comum entre as mulheres e a principal causa de morte por cancro neste grupo. Pelos dados divulgados pelo Global Cancer Observatory, em 2022, em Portugal registámos cerca de 9 mil novos casos e mais de 2 mil óbitos, números que sublinham a urgência de uma participação massiva das mulheres abrangidas por esta poderosa arma de deteção de novos casos de cancro de mama, permitindo assim um tratamento adequado aumentando, largamente, os prognósticos favoráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A SPS mantém-se atenta às necessidades das mulheres com cancro de mama, dedicando este ano a primeira sessão das suas <a href="https://sps25.spsenologia.pt/web/home.php?lg=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jornadas Nacionais SPS25</a> à temática do sobrediagnóstico e subdiagnóstico, no dia 9 de outubro, abordando aqui as novas técnicas de imagem e o rastreio individualizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este artigo de opinião foi escrito por ocasião do mês da prevenção do cancro da mama, o Outubro Rosa.</em></p>
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		<title>Safety Huddle: Uma estratégia de gestão e segurança para a Enfermagem no Serviço de Urgência</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/safety-huddle-uma-estrategia-de-gestao-e-seguranca-para-a-enfermagem-no-servico-de-urgencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 11:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num serviço de urgência onde cada decisão influencia vidas, as Safety Huddles afirmam-se como resposta estruturada à pressão crescente. Reforçam a segurança, antecipam riscos e unem equipas, oferecendo à Enfermagem uma via sólida para liderar uma mudança sustentada e elevar a qualidade dos cuidados. Leia o artigo de opinião de Marcelo Azevedo, enfermeiro do Serviço [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Num serviço de urgência onde cada decisão influencia vidas, as Safety Huddles afirmam-se como resposta estruturada à pressão crescente. Reforçam a segurança, antecipam riscos e unem equipas, oferecendo à Enfermagem uma via sólida para liderar uma mudança sustentada e elevar a qualidade dos cuidados. Leia o artigo de opinião de Marcelo Azevedo, enfermeiro do Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica da ULS Oeste &#8211; Unidade Caldas da Rainha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O serviço de Urgência apresenta-se diariamente com constantes desafios relacionados com a gestão de riscos. Os serviços de urgência enfrentam desafios complexos que impactam diretamente a qualidade dos cuidados prestados. Um dos principais problemas é o excessivo fluxo de utentes, levando a uma sobrecarga na prestação dos cuidados e aumento dos tempos de espera, dificultando a gestão eficiente e segura destes ambientes. Este fluxo excessivo está diretamente relacionado com o envelhecimento da população e prevalência de doenças crónicas (Alshareef, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, questões como aumento do stress, aumento da probabilidade de erros médicos e diminuição da qualidade do atendimento, associados a escassez de recursos humanos e de infraestruturas adequadas, estão diretamente ligados à sobrelotação e dificuldade de gestão, tornando o trabalho multidisciplinar nos serviços de urgências ainda mais exigente e desgastante (Alshareef, 2025; Gama et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão de risco não clínico e segurança é uma realidade clara e exige a devida atenção. A prática da <em>Safety Huddle</em> (reuniões breves, organizadas, estruturadas e geralmente multidisciplinares) pode considerar-se uma ferramenta estratégica neste contexto. Caracteriza-se como potenciadora da comunicação, cooperação e colaboração das equipas resultando numa maior segurança dos cuidados, assegurando troca de informação crítica, alinhamento de estratégias e gestão de recursos. Contudo, é uma prática ainda pouco comum da Enfermagem em Portugal, mas com uma boa perspetiva de estudo e aplicabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>Safety Huddle</em> ou <em>Briefing</em> de Segurança tem como principal objetivo a informação de vários profissionais e gestores de saúde sobre os riscos existentes e desta forma procurar antecipar, minimizar ou até solucionar os mesmos. É conhecida como sendo uma reunião curta (cinco a 15 minutos) e objetiva, tendo em foco a segurança, os riscos e as estratégias a adotar para a qualidade e proteção dos cuidados (Ghoul et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>Safety Huddle</em> é uma prática comum no <em>National Health Service</em> (NHS) do Reino Unido e tem-se revelado como uma ferramenta positivamente impactante na segurança e promoção da consciência de grupo das equipas (Clarke et al., 2023). Também num estudo realizado no Brasil, há evidência de que a implementação de <em>Safety Huddles</em> melhora significativamente várias dimensões da cultura de segurança do doente, comunicação entre profissionais e notificação de eventos adversos (Moraes et al., 2024). Esta tendência global demonstra que a ferramenta é transversal e adaptável, em diferentes realidades de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No atual panorama do Sistema Nacional de Saúde Português, o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021 &#8211; 2026 (PNSD) adquire uma importância acrescida dada a ocorrência frequente de incidentes relacionados com a segurança durante a prestação de cuidados. A adoção de orientações e ações específicas para mitigar esses incidentes, muitos dos quais podem ser prevenidos, é amplamente reconhecida como promotora de resultados positivos em saúde. Desta forma, investir em políticas de segurança do doente representa uma prioridade estratégica (Despacho n.º 9390/2021, 2021). A <em>Safety Huddle</em> suporta-se em alicerces como gestão, segurança, comunicação, liderança e prevenção, que de acordo com o PNSD constituem grande parte dos pilares que suportam os objetivos estratégicos do mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensa-se que a integração da <em>Safety Huddle</em> nos serviços de saúde portugueses, e especificamente em serviços de urgência é essencial e necessária. Para além de representar uma resposta aos problemas relacionados com a comunicação interdisciplinar e a gestão de risco e segurança, entende-se também como uma estratégia promissora de alinhar a prática de Enfermagem com o PNSD, escalando para ganhos em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois, a Enfermagem, pela sua posição estratégica e proximidade ao doente, está pronta para liderar esta mudança. Neste âmbito, reconhece-se que as entidades reguladoras da profissão, em particular a Ordem dos Enfermeiros, em articulação com os gestores de saúde de diferentes níveis hierárquicos (operacional e tático), podem ter um papel determinante na promoção e implementação desta ferramenta na prática assistencial quotidiana dos enfermeiros, sobretudo nos serviços de urgência. O <em>benchmarking</em> internacional vem permitir reforçar a ideia de que esta prática fortalece a comunicação, a cultura de segurança e a gestão de risco. Neste sentido, seria essencial o papel destes <em>stakeholders</em> (internos e externos) no apoio institucional, formação e elaboração de diretrizes específicas, para o compromisso com a qualidade e segurança dos cuidados, valorizando práticas colaborativas que promovam uma cultura organizacional de prevenção e melhoria contínua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aos enfermeiros, como agentes ativos na construção de uma cultura de segurança, cabe-lhes não só garantir o sucesso da implementação da estratégia de melhoria continua e dinamizá-la, mas também inspirar, incentivar e envolver os restantes elementos da equipa multidisciplinar na sua continuidade. Para que tal aconteça, é fundamental reconhecer gestores que tenham uma liderança acompanhada de ambientes seguros, colaborativos e proativos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é necessário que a Enfermagem em Portugal não adie mais esta oportunidade, amplie o seu campo de investigação e prática sobre as <em>Safety Huddles</em>, produzindo evidência científica, integrando-as nas rotinas dos serviços de urgência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:&nbsp;</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Alshareef, A. G. (2025). Challenges facing emergency departments in public hospitals. <em>Edelweiss Applied Science and Technology</em>, <em>9</em>(1), 1119–1128. <a href="https://doi.org/10.55214/25768484.v9i1.4348" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.55214/25768484.v9i1.4348</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Clark L. (2025). Safety huddles: improving patient safety culture. <em>British journal of nursing (Mark Allen Publishing)</em>, <em>34</em>(7), 356–357. <a href="https://doi.org/10.12968/bjon.2025.0049"></a><a href="https://doi.org/10.12968/bjon.2025.0049" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.12968/bjon.2025.0049</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Despacho n.º 9390/2021 (2021).<em> Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021‑2026 (PNSD 2021‑2026)</em>. Diário da República, n.º 187/2021, Série II, 24 de setembro de 2021. <a href="https://dre.pt"></a><a href="https://dre.pt">https://dre.pt</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Gama, F., João, R. D., &amp; Gomes De Almeida, C. (2024). SOBRECARGA NOS SERVIÇOS DE URGÊNCIA: UM DETERMINANTE SIGNIFICATIVO DAS INFEÇÕES ASSOCIADAS AOS CUIDADOS DE SAÚDE. <em>Millenium &#8211; Journal of Education, Technologies, and Health</em>. <a href="https://doi.org/10.29352/mill0217e.37916"></a><a href="https://doi.org/10.29352/mill0217e.37916" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.29352/mill0217e.37916</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Ghoul, I., Abdullah, A., Awwad, F. <em>et al.</em> Safety huddle in healthcare settings: a concept analysis. <em>BMC Health Serv Res</em> 25, 393 (2025). <a href="https://doi.org/10.1186/s12913-025-12526-x"></a><a href="https://doi.org/10.1186/s12913-025-12526-x" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1186/s12913-025-12526-x</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Moraes, M., Almeida, Í., &amp; Carvalho, R. (2024). Avaliação da cultura de segurança do paciente antes e depois da implementação do huddle de segurança. Revista da Escola de Enfermagem da U.S.P., 57, e20230270. <a href="https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2023-0270en"></a><a href="https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2023-0270en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2023-0270en</a></p>
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		<title>Critical Care CESPU’25: O cérebro no centro dos cuidados críticos</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/critical-care-cespu25-o-cerebro-no-centro-dos-cuidados-criticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A disfunção neurológica impõe à enfermagem vigilância contínua, leitura crítica de sinais subtis e intervenção imediata. O Critical Care – CESPU’25 reforçou que o cérebro é o primeiro alerta e que cada atraso compromete prognóstico e autonomia. A precisão na monitorização e a integração de protocolos clínicos tornam-se determinantes. Leia o artigo de opinião de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A disfunção neurológica impõe à enfermagem vigilância contínua, leitura crítica de sinais subtis e intervenção imediata. O<em> Critical Care – CESPU’25</em> reforçou que o cérebro é o primeiro alerta e que cada atraso compromete prognóstico e autonomia. A precisão na monitorização e a integração de protocolos clínicos tornam-se determinantes. Leia o artigo de opinião de Filipe Fernandes, professor na CESPU.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos cuidados ao doente crítico não podemos tratar o cérebro como um órgão silencioso. A disfunção neurológica é frequentemente o primeiro sinal de falência sistémica e exige resposta imediata, precisa e coordenada. Esta foi uma evidência fundamental que resultou da discussão no V Congresso Internacional <em>Critical Care – CESPU’25</em>, realizado em outubro em Vila Nova de Famalicão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro reuniu profissionais nacionais e internacionais num ambiente de rigor, inovação, reflexão e também de provocação sobre a prática clínica contemporânea e consolidou-se como uma referência no debate científico sobre a disfunção neurológica em contexto crítico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cérebro foi colocado no centro da decisão clínica, destacando-se a importância da monitorização do estado de consciência, da resposta pupilar e da função motora, aliada ao uso de escalas validadas de sedação e delirium. A capacidade de reconhecer precocemente alterações neurológicas foi apontada como determinante para orientar intervenções eficazes e melhorar o prognóstico. Sublinhou-se ainda a necessidade de integrar estas avaliações nos protocolos institucionais, com foco na consistência, na periodicidade e na interpretação crítica dos dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Acidente Vascular Cerebral (AVC) foi apresentado como uma verdadeira corrida contra o tempo, onde cada minuto conta e que gera uma perda de cerca de 2 milhões de neurónios perdidos! O reconhecimento precoce dos sinais neurológicos e a rápida ativação da cadeia de resposta, via verde AVC, foram identificados como fatores decisivos para a sobrevivência e recuperação funcional. O controlo da glicemia, temperatura e pressão arterial, a estabilização respiratória e hemodinâmica e o uso da ecografia clínica e da neuromonitorização não invasiva foram apontados como pilares da neuroproteção. A “janela terapêutica” deixou de ser uma métrica técnica para se afirmar como um compromisso ético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do trauma neurológico, foram discutidas estratégias de estabilização fisiológica centradas na ressuscitação dirigida por metas e na ventilação protetora do cérebro. A abordagem integrada ao traumatismo crânio-encefálico foi reforçada como essencial, com foco na personalização das intervenções e na vigilância de sinais indiretos de hipertensão intracraniana. A neuromonitorização destacou-se como ferramenta imprescindível, permitindo antecipar deteriorações e ajustar decisões clínicas com base em parâmetros objetivos, como pressão intracraniana e perfusão cerebral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contexto de reanimação, reforçou-se a importância da pupilometria automatizada, da ventilação ajustada à pressão intracraniana, do Kama Sutra para o posicionamento da vítima para abordagem à via aérea e da reavaliação contínua em ambientes de elevada pressão. A discussão abordou ainda a necessidade de capacitar as equipas para interpretar corretamente os dados monitorizados, promovendo um raciocínio clínico mais sólido e menos dependente apenas da observação tradicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A articulação entre ciência, tecnologia e humanização foi uma constante neste congresso, reforçando a importância de uma prática baseada na evidência, mas guiada pela sensibilidade e pela ética profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No encerramento, a mensagem foi inequívoca: o cérebro não espera. Nos cuidados críticos, cada segundo de hesitação pode custar funções, autonomia ou vida. O <em>Critical Care – CESPU’25</em> foi mais do que um evento científico — foi um marco na forma como se pensa, avalia e cuida do cérebro em situação crítica.</p>
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		<title>Comunicar com os pais: a outra face da segurança terapêutica em saúde infantil e pediátrica</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/comunicar-com-os-pais-a-outra-face-da-seguranca-terapeutica-em-saude-infantil-e-pediatrica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 09:49:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornalenfermeiro.pt/eventos/comunicar-com-os-pais-a-outra-face-da-seguranca-terapeutica-em-saude-infantil-e-pediatrica/</guid>

					<description><![CDATA[<p>A segurança terapêutica em saúde infantil e pediátrica vai além da técnica. A comunicação eficaz com os pais é essencial para garantir adesão, confiança e continuidade dos cuidados. Explicar, escutar e envolver a família transforma o ato clínico num processo partilhado, onde comunicar bem é, verdadeiramente, cuidar melhor. Leia o artigo de opinião de André [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A segurança terapêutica em saúde infantil e pediátrica vai além da técnica. A comunicação eficaz com os pais é essencial para garantir adesão, confiança e continuidade dos cuidados. Explicar, escutar e envolver a família transforma o ato clínico num processo partilhado, onde comunicar bem é, verdadeiramente, cuidar melhor. Leia o artigo de opinião de André Ferreira, enfermeiro especialista em enfermagem comunitária, autor do livro “Preparação de Terapêutica Farmacológica em Saúde Infantil e Pediátrica”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática clínica em saúde infantil e pediátrica aprendem-se cedo lições que vão muito além da técnica. A administração de um fármaco não começa quando a seringa toca na pele da criança. Inicia-se muito antes, quando os pais olham para os profissionais de saúde em busca de respostas, segurança e confiança. Calcular doses, preparar diluições e seguir protocolos são tarefas que dominam, mas a comunicação com os pais pode ser tão determinante quanto a execução irrepreensível do procedimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais chegam frequentemente a um serviço de saúde fragilizados, ansiosos e, muitas vezes, com sentimentos de culpa. Querem compreender cada detalhe: o que é, para que serve, quais os efeitos possíveis e como podem contribuir para a segurança do seu filho. A forma como os profissionais transmitem esta informação influencia não só a adesão ao tratamento, mas também a relação de confiança estabelecida com a família. Explicar um antibiótico em linguagem acessível, traduzir miligramas e mililitros em exemplos do quotidiano e reforçar os cuidados a ter em casa pode parecer um pormenor. Mas, na realidade, é um gesto que protege a criança e tranquiliza quem cuida dela diariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não são raros os episódios em que os pais hesitam em administrar a medicação prescrita porque “têm receio da dose ser forte demais para a criança”. Nesses momentos, não basta repetir a prescrição técnica; é essencial traduzi-la em metáforas simples, ajustadas ao seu contexto. Quando os profissionais conseguem essa aproximação, percebe-se no rosto dos pais o alívio e a confiança que transformam a dúvida em segurança. Esses instantes reforçam a convicção de que o verdadeiro ato terapêutico é também comunicacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Infelizmente, ainda persistem barreiras. O tempo escasso, a pressão assistencial e o uso excessivo de linguagem técnica podem afastar em vez de aproximar. Em muitos contextos, a comunicação reduz-se a ordens rápidas: “tome esta dose, de X em X horas”. Contudo, sem espaço para a escuta ativa, a dúvida e a insegurança permanecem. Não é incomum encontrar pais que alteram doses, espaçam administrações ou interrompem terapêuticas, precisamente porque não compreenderam ou não interiorizaram a importância da adesão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação em saúde infantil e pediátrica não deve ser entendida como um complemento da prática clínica, mas sim como parte integrante do processo terapêutico. Exige empatia, clareza e a capacidade de ajustar o discurso ao nível de compreensão de cada família. Mais do que fornecer respostas, é necessário criar um ambiente em que os pais se sintam à vontade para questionar sem receio de julgamentos. É essa confiança que transforma a comunicação num verdadeiro instrumento de segurança e não apenas num meio de transmissão de informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preparar e administrar fármacos em pediatria é sempre um ato de dupla responsabilidade: técnica e relacional. Um cálculo rigoroso pode ser comprometido se não for acompanhado de uma explicação clara; um gesto seguro perde impacto se não for compreendido por quem dará continuidade aos cuidados em casa. É nesse equilíbrio entre ciência e comunicação que reside a segurança da criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal como é referido em&nbsp;<em>Preparação de Terapêutica Farmacológica em Saúde Infantil e Pediátrica</em>, a segurança do tratamento não depende apenas do rigor da dose, mas também da forma como pais e cuidadores são envolvidos no processo terapêutico. Comunicar é, afinal, uma forma de cuidar – e, em pediatria, comunicar bem é cuidar melhor.</p>
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		<title>A intervenção do enfermeiro com base no risco de Fraturas Osteoporóticas</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/a-intervencao-do-enfermeiro-com-base-no-risco-de-fraturas-osteoporoticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 16:21:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O aumento da esperança de vida é uma vitória coletiva, mas traz novos desafios clínicos e sociais. Entre eles, a osteoporose impõe-se como uma ameaça silenciosa, com impacto profundo na autonomia e qualidade de vida dos mais velhos, uma realidade que exige prevenção, vigilância e ação cuidada dos enfermeiros. Leia o artigo de opinião de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O aumento da esperança de vida é uma vitória coletiva, mas traz novos desafios clínicos e sociais. Entre eles, a osteoporose impõe-se como uma ameaça silenciosa, com impacto profundo na autonomia e qualidade de vida dos mais velhos, uma realidade que exige prevenção, vigilância e ação cuidada dos enfermeiros. Leia o artigo de opinião de Georgina Pimentel, enfermeira especialista em Reabilitação, consulta de Fraturas de Fragilidade, Serviço de Reumatologia da ULS de Coimbra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Envelhecer é, em grande medida, uma conquista coletiva. Porém, constitui também um desafio: o aumento da longevidade traz consigo condições que testam a resiliência dos indivíduos e a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Entre essas condições, a osteoporose destaca-se como uma ameaça silenciosa. Não provoca dor nem se anuncia com sinais exuberantes, mas manifesta-se de forma súbita, transformando uma queda aparentemente banal ou um simples movimento numa fratura incapacitante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fratura osteoporótica não é apenas uma lesão óssea; é um ponto de viragem na trajetória de vida da pessoa. Representa dor, perda de mobilidade, dependência e, demasiadas vezes, um declínio acelerado que conduz à institucionalização ou mesmo a uma morte precoce. É precisamente neste contexto que a intervenção do enfermeiro assume carácter decisivo — não apenas na resposta ao dano já consumado, mas sobretudo na prevenção que o pode evitar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pela sua proximidade, o enfermeiro possui competências para identificar fatores de risco, intervir precocemente e educar de forma clara, mobilizadora e culturalmente adequada. É capaz de traduzir em linguagem acessível a relevância do cálcio, da vitamina D e da prática regular de exercício físico, ao mesmo tempo que desconstrói crenças enraizadas — “é da idade”, “é normal cair” — que tantas vezes alimentam a resignação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dispõe ainda de um instrumento validado e cientificamente robusto, como o FRAX® (https:/<a href="http://www.fraxplus.org/calculation-tool?country=53)">/www.fraxplus.org/calculation-tool?country=53),</a> recomendado pela Organização Mundial da Saúde e validado para a população portuguesa. Este instrumento estima a probabilidade de fratura nos dez anos subsequentes, a partir da análise de múltiplos fatores de risco, e oferece ao enfermeiro uma base objetiva para estratificar o risco de fraturas osteoporóticas em pessoas com 40 ou mais anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num tempo em que a pressão sobre os recursos de saúde se intensifica, investir na prevenção é investir na sustentabilidade. Cada fratura evitada traduz-se em menos internamentos, menos cirurgias, menores custos sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, acima de tudo, significa preservar dias de vida com qualidade, protegendo aquilo que é talvez o bem mais precioso: a independência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Dia Mundial da Osteoporose, assinalado a 20 de outubro, recorda-nos anualmente que esta é uma condição que não pode ser ignorada. Deve ser enfrentada com estratégias preventivas consistentes e com o empenho de todos os profissionais de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os enfermeiros, esta data representa também um apelo à ação: reforçar a educação para a saúde, intensificar o rastreio e mobilizar a comunidade para estilos de vida que promovam a saúde óssea. O futuro de um envelhecimento saudável passará sempre, e inevitavelmente, pelas mãos de quem cuida de perto.</p>
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		<title>Liderar e inspirar na saúde: O exemplo que transforma equipas e cuidados</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/liderar-e-inspirar-na-saude-o-exemplo-que-transforma-equipas-e-cuidados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 08:28:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A verdadeira liderança na saúde nasce do exemplo. É esta a convicção do enfermeiro Luís Vilela, da Mesa da Assembleia Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros. Mais do que cargos ou protocolos, é a coerência, a empatia e a integridade que inspiram equipas e elevam os cuidados. Leia o artigo de opinião. No sector [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A verdadeira liderança na saúde nasce do exemplo. É esta a convicção do enfermeiro Luís Vilela, da Mesa da Assembleia Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros. Mais do que cargos ou protocolos, é a coerência, a empatia e a integridade que inspiram equipas e elevam os cuidados. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No sector da saúde, fala-se muito sobre liderança, estruturas e processos, mas quem trabalha todos os dias na linha da frente sabe que o verdadeiro impacto vem do exemplo. É na prática, nas pequenas decisões e atitudes do quotidiano, que se constrói a confiança das equipas e se inspira cada elemento a dar o seu melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os enfermeiros, pela proximidade com os utentes e pela visão global dos cuidados, ocupam uma posição privilegiada para exercer uma liderança genuína e transformadora. Quando são os enfermeiros a liderar equipas multidisciplinares, nota-se uma diferença real: há mais coesão, melhor comunicação, maior motivação e, acima de tudo, uma preocupação autêntica com cada utente. Não se trata apenas de coordenar tarefas ou seguir protocolos; trata-se de ser o exemplo vivo de profissionalismo, respeito e humanidade que se exige a quem cuida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Liderar pelo exemplo não é uma questão de perfeição, mas sim de coerência, responsabilidade e integridade. O enfermeiro líder assume erros, partilha sucessos e nunca hesita em apoiar um colega, orientar um recém-chegado ou defender o utente, mesmo quando ninguém está a ver. São estas atitudes que criam uma cultura de confiança, entreajuda e pertença, com impacto direto nos resultados e no ambiente vivido por quem trabalha e por quem recebe cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O efeito deste tipo de liderança sente-se em cada equipa, profissionais inspirados por exemplos positivos tornam-se mais resilientes, colaborativos e atentos às necessidades do outro. Os utentes percebem essa diferença: sentem-se mais seguros, melhor acompanhados e valorizados, o que contribui para a sua recuperação e bem-estar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em momentos de crise, instabilidade ou mudança, o exemplo torna-se ainda mais decisivo. Quando faltam recursos ou as condições se tornam adversas, todos procuram uma referência, alguém que mantenha o rumo, preserve os princípios éticos e nunca esqueça que, no centro de tudo, está o utente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final, melhorar os cuidados de saúde passa menos por grandes discursos e mais pela força do exemplo. Cada profissional, e em particular cada enfermeiro, tem a capacidade de inspirar a sua equipa, contagiar positivamente o ambiente e transformar, pouco a pouco, a realidade dos cuidados prestados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Liderança que deixa marca é a que se vive, não a que se proclama, é a que contagia e transforma realidades.</p>
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		<title>Urgência sem fim: O sistema está a matar quem o sustenta</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/urgencia-sem-fim-o-sistema-esta-a-matar-quem-o-sustenta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 13:44:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos hospitais nacionais, a urgência portuguesa vive uma crise silenciosa que ameaça o SNS. Neste artigo de opinião, a enfermeira Edene Melodie Mota, do Conselho de Enfermagem da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros, denuncia a exaustão das equipas e exige mudanças estruturais para garantir cuidados seguros e dignos. Nos bastidores dos hospitais [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Nos hospitais nacionais, a urgência portuguesa vive uma crise silenciosa que ameaça o SNS. Neste artigo de opinião, a enfermeira Edene Melodie Mota, do Conselho de Enfermagem da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros, denuncia a exaustão das equipas e exige mudanças estruturais para garantir cuidados seguros e dignos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos bastidores dos hospitais portugueses trava-se uma guerra silenciosa. Não é apenas contra a doença, contra o tempo ou contra a morte. É uma guerra contra o abandono de um sistema, contra a ignorância coletiva e contra o desgaste de quem ainda resiste. O Serviço de Urgência (SU) está à beira da rutura, e os profissionais que o sustentam, sobretudo os enfermeiros, estão perante o abismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os dias, os corredores das urgências transformam-se em linhas da frente de um campo de batalha emocional e físico. São pessoas em macas durante horas ou dias (quando há macas), equipas reduzidas, recursos limitados. O SU, concebido para tratar situações agudas e/ou críticas, passou a ser a única porta de entrada real ao sistema de saúde para milhares de cidadãos. Mas o que é excecional tornou-se rotina — e a rotina tornou-se insustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados da OCDE, cerca de 20% dos episódios de urgência em Portugal poderiam ser resolvidos noutros contextos de cuidados, nomeadamente nos cuidados de saúde primários. No entanto, um agendamento de uma simples consulta pode ser, para muitos, um privilégio. A dificuldade de resposta destes serviços — seja pela escassez de profissionais de saúde, pela burocracia ou pela falta de investimento — empurra os cidadãos para as urgências, muitas vezes por situações não urgentes, mas compreensivelmente angustiantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, recorrer ao setor privado está longe de ser uma opção viável para todos. Com o aumento do custo de vida e a pressão económica, a saúde tornou-se, para muitos, uma riqueza. E quando não há alternativas, as pessoas vão onde sabem que serão atendidas — ainda que isso signifique esperar horas, sobrecarregar profissionais ou contribuir, sem saber, para o colapso do sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No centro desta espiral está o enfermeiro. Profissional altamente qualificado, preparado para prestar cuidados diferenciados e tomar decisões em contextos de alta complexidade. Mas como se garante a excelência clínica em ambientes de exaustão permanente? Não se garante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dotação segura de profissionais é sistematicamente ignorada pela tutela. Há turnos em que um enfermeiro cuida de dez, doze, até quinze doentes em situação crítica. Trabalha-se em exaustão, turno após turno, com escassez de pausas, alimentação desequilibrada, insónias crónicas, vida familiar inexistente sem recuperação fisica ou emocional. Segundo um estudo recente publicado pela Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, mais de 60% dos enfermeiros portugueses apresentam sinais de <em>burnout</em>, e 20,5% já sofre de exaustão emocional severa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este desgaste não é apenas individual, é estrutural! Há uma rotatividade crescente nestes serviços. Os profissionais solicitam mobilidade, mudam de hospital ou abandonam a profissão. E quem permanece? Os resilientes, os apaixonados… até deixarem de o ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas das vezes o setor da saúde é usado como bandeira eleitoral, mas raramente como prioridade governativa. Planos estratégicos não avançam, reformas são iniciadas e abandonadas, assim como orçamentos são cortados ou adiados. Cada mudança de ministro da saúde traz novas intenções, mas nenhuma continuidade. Esta mudança política fragiliza ainda mais o Serviço Nacional de Saúde (SNS), fragilizando as equipas e gerando uma sensação coletiva de abandono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os SU precisam, com real urgência, de serem reestruturados. Esta reestruturação deve passar por uma reorganização inteligente dos fluxos, centrada não apenas na triagem e atendimento inicial, mas também na capacidade de “drenagem” eficaz dos doentes: altas hospitalares atempadas, existência de vagas para internamentos necessários e redução da taxa de permanência e de readmissão no SU, que são indicadores de qualidade e eficiência assistencial. Paralelamente, é fundamental reforçar a articulação com os cuidados de saúde primários, o setor social e privado. Mas acima de tudo, essa mudança estrutural exige o reconhecimento e a valorização concreta dos profissionais de saúde que sustentam este sistema sob pressão constante. Quando falo em valorização, não me refiro a palmas, já nem abordo a valorização salarial ou da profissão como sendo de desgaste rápido…Falo sim, em garantir equipas com dotação segura, condições de trabalho que permitam cuidados seguros e de qualidade, individualizados e humanizados, tempo para a formação contínua, a atualização científica e a reflexão clínica. Um SU funcional, moderno e seguro começa sempre por profissionais capacitados, respeitados e preparados para cuidar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A continuar assim, não será apenas o SU a colapsar, será o próprio SNS. Será a saúde mental e física de quem ainda acredita no sistema. Será, talvez, a esperança de quem entra por aquelas portas, convencido de que vai ser salvo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas quem cuida de quem cuida?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É tempo de agir. Porque o silêncio está a matar. E o colapso, esse, já não é uma ameaça — é uma realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Enfermeira Edene Melodie Mota, Conselho de Enfermagem da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros</em></p>
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		<title>O contributo da TENS na prática de enfermagem: entre a ciência e o alívio da dor</title>
		<link>https://www.jornalenfermeiro.pt/opiniao/o-contributo-da-tens-na-pratica-de-enfermagem-entre-a-ciencia-e-o-alivio-da-dor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 10:13:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A dor crónica exige respostas integradas e seguras. A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) surge como opção não farmacológica eficaz, com resultados comprovados. Enfermeiros, pela sua proximidade e competência, têm um papel central na aplicação desta terapia humanizada. Leia o artigo de opinião de Camila Almeida1 e Hélder Ferreira2. Em contextos em que a dor [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A dor crónica exige respostas integradas e seguras. A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) surge como opção não farmacológica eficaz, com resultados comprovados. Enfermeiros, pela sua proximidade e competência, têm um papel central na aplicação desta terapia humanizada. Leia o artigo de opinião de Camila Almeida<sup>1</sup> e Hélder Ferreira<sup>2</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contextos em que a dor crónica afeta milhões de pessoas e representa um desafio crescente para os sistemas de saúde, a procura por intervenções eficazes, seguras e humanizadas torna-se imperativa. A dor, nas suas múltiplas manifestações, permanece um desafio central nos cuidados de saúde, cuja prevalência, intensidade e impacto biopsicossocial a colocam como uma das principais causas de sofrimento humano e limitação funcional, exigindo respostas integradas, rigorosas e fundamentadas em evidências. Face a esta realidade, a Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) destaca-se como uma abordagem não farmacológica de elevado potencial terapêutico, particularmente relevante no âmbito da prática de enfermagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto terapia, a TENS consiste na utilização de corrente elétrica de baixa frequência por via transcutânea, ativando mecanismos neuromoduladores periféricos e centrais, com o objetivo de controlo da dor. A sua eficácia encontra-se sustentada por dados de uma metanálise recente, com especial destaque para o alívio da dor musculoesquelética, neuropática e pós-operatória (Johnson, Paley, Jones, Mulvey, &amp; Wittkopf, 2022). Trata-se de uma modalidade terapêutica minimamente invasiva, de baixo custo e com um perfil de segurança muito favorável, caracterizado por uma reduzida incidência de efeitos adversos, o que reforça a sua aplicabilidade em diversos contextos clínicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A autonomia e a competência dos Enfermeiros na aplicação da TENS têm vindo a ser reconhecidas, particularmente na área da Enfermagem de Reabilitação, onde o controlo da dor se articula com a promoção da funcionalidade e com a participação ativa da pessoa no seu processo terapêutico. Os resultados do estudo de Chiou, Yeh e Wang (2020) revelaram que a aplicação da TENS por Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação (EEER) proporciona benefícios clínicos significativos para a pessoa em processo de reabilitação, promovendo não apenas o alívio da dor miofascial, mas também a melhoria do bem-estar emocional e da qualidade do sono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa, contudo, que a aplicação da TENS seja realizada por profissionais que detenham competência reconhecida, alicerçada em conhecimento técnico aprofundado e fundamentação científica devidamente publicada. Tal competência assegura uma avaliação rigorosa da dor, a escolha criteriosa dos parâmetros de estimulação — nomeadamente frequência, intensidade e duração — e a monitorização sistemática da resposta da pessoa ao tratamento, possibilitando ajustes individualizados que maximizem a eficácia terapêutica. Esta abordagem científica e personalizada é fundamental para garantir a segurança e o sucesso da intervenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Face às preocupações crescentes relacionadas com o uso excessivo de analgésicos opioides, importa reforçar a integração de intervenções não farmacológicas seguras e custo-efetivas nos planos de intervenção dos Enfermeiros. Um ensaio clínico recente demonstrou que a aplicação de TENS realizada por Enfermeiros no perioperatório de cirurgia cardíaca, contribuiu para uma diminuição significativa do consumo de opioides, promovendo simultaneamente o alívio da dor e uma recuperação funcional mais célere (Zhang, Wang, Zheng, Lin, Liu, Zhang, &amp; Liu, 2024). Esta evidência reforça o potencial do Enfermeiro na adoção de estratégias que humanizam os cuidados e favorecem uma abordagem mais sustentável à gestão do alívio da dor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que intervenções como a TENS possam ser integradas de forma efetiva nos cuidados de saúde, a literacia dos profissionais de saúde, em particular dos Enfermeiros, revela-se essencial. Conhecer o seu potencial terapêutico e dominar a sua aplicação clínica permite garantir intervenções seguras, eficazes e centradas na pessoa. A promoção de sessões de formação e partilha de práticas baseadas na evidência contribui para o reforço de competências, o pensamento crítico e a valorização do papel dos Enfermeiros na gestão do alívio da dor. Mais do que um recurso tecnológico, a TENS deve ser entendida como uma intervenção clínica com potencial para transformar a experiência da pessoa em sofrimento, promovendo alívio, funcionalidade e dignidade. Pela sua proximidade, sensibilidade e competência técnica, os Enfermeiros encontram-se particularmente bem posicionados para liderar esta mudança e promover cuidados mais humanizados, responsáveis e eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>&nbsp;1</sup> Doutora em Enfermagem. Docente da Escola de Enfermagem (Porto) e da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem, na Universidade Católica Portuguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>2</sup> Hélder Ferreira é Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, na UCC Matosinhos.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referências Bibliográficas<sup>*</sup>:</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><sup>*</sup> De acordo com as normas da <em>American Psychological Association</em> – APA, 7ª edição, 2020. <a href="https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition-introduction.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition-introduction.pdf</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Chiou, Y.-F., Yeh, M.-L., &amp; Wang, Y.-J. (2020). Transcutaneous electrical nerve stimulation on acupuncture points improves myofascial pain, moods, and sleep quality. <em>Rehabilitation Nursing</em>, <em>45</em>(4), 225–233. <a href="https://doi.org/10.1097/RNJ.0000000000000198"></a><a href="https://doi.org/10.1097/RNJ.0000000000000198" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1097/RNJ.0000000000000198</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Johnson, M. I., Paley, C. A., Jones, G., Mulvey, M. R., &amp; Wittkopf, P. G. (2022). Efficacy and safety of transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) for acute and chronic pain in adults: A systematic review and meta-analysis of 381 studies (the meta-TENS study). <em>BMJ Open, 12</em>(2), e051073. <a href="https://doi.org/10.1136/bmjopen-2021-051073"></a><a href="https://doi.org/10.1136/bmjopen-2021-051073" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1136/bmjopen-2021-051073</a></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Zhang, H., Wang, L., Zheng, Z., Lin, J., Liu, C., Zhang, J., &amp; Liu, X. (2024). Transcutaneous electrical acupoint stimulation to reduce opioid consumption in patients undergoing off-pump CABG: A randomized controlled trial. <em>Perioperative Medicine</em>, <em>13</em>, 68. <a href="https://doi.org/10.1186/s13741-024-00427-2"></a><a href="https://doi.org/10.1186/s13741-024-00427-2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1186/s13741-024-00427-2</a></p>
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