Atualidade

Estudo revela que cancro da mama tem maior incidência na mulher jovem

26 Mar. 2021

Um estudo publicado recentemente pela Sociedade Europeia de Oncologia Médica sobre o impacto do cancro da mama em mulheres muito jovens vem confirmar que é o tumor maligno de maior incidência na mulher jovem e diagnosticado tardiamente.

Este estudo contou com a participação de 207 mulheres e analisa 10 anos da experiência de cinco centros oncológicos - os Hospitais CUF Tejo e CUF Descobertas, o Hospital de Vila Franca de Xira, o Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, o Centro Hospitalar Barreiro-Montijo e o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental.

Em comunicado, Sofia Braga, investigadora principal do estudo e oncologista no Hospital CUF Descobertas, refere que “o estudo coloca em evidência as características e as necessidades específicas das mulheres jovens com cancro da mama - idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos - para que a comunidade médica as possa considerar nas suas abordagens terapêuticas”.

Os investigadores revelaram que o diagnóstico tende a ser tardio, 45% é diagnosticado no estadio 3 e 6% já com metástases. “A principal razão para um diagnóstico tardio neste grupo etário prende-se sobretudo com a não existência de um rastreio padronizado para esta população. Em Portugal, a idade indicada para o rastreio populacional situa-se a partir dos 50 anos”, sublinham.

Acrescentam ainda que estes tumores têm tendência para ser mais agressivos. “Alguns dos tumores analisados parecem apresentar uma resposta pior aos tratamentos do que os tumores de outros grupos etários”, reiteram.

No que diz respeito à taxa de sobrevivência das mulheres com cancro da mama, os investigadores referem que se encontra abaixo dos 35 anos situando-se entre os 75-80%, comparativamente às mulheres com mais de 35 anos que se situa entre os 80-85%.

“Por tudo isto, existe urgência em sensibilizar esta população para a necessidade de rastreio oportunista - realização de exames de diagnóstico regulares - da mama em idade jovem, compreender o benefício da aposta em equipamentos de rastreio com maior capacidade de leitura perante a densidade mamária elevada (como, por exemplo, a mamografia 3D - evitando os problemas da sobreposição de estruturas) e de acautelar os diferentes fatores biológicos e necessidades no acompanhamento destas doentes - que para além de multidisciplinar e especializado, deve contemplar equipas de cuidados de suporte, tais como, o aconselhamento genético, o apoio nutricional e emocional, a consulta de fertilidade e até, os cuidados estéticos”, destaca Sofia Braga.

O estudo realça que se tratam de mulheres que se deparam “com alterações profundas na sua imagem, entram em menopausa precoce, lidam com a infertilidade mesmo que temporária. Também aspetos como a gestão da carreira, a educação de filhos pequenos e a saúde sexual devem ser tidos em consideração pelas equipas clínicas na escolha da abordagem terapêutica a estas mulheres”, pode ler-se em nota enviada.

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