Imprimir esta página

Doenças raras e crónicas: os enfermeiros como garante da continuidade dos cuidados

sexta, 16 outubro 2020 08:09

A mais-valia dos enfermeiros na construção de uma relação de proximidade com os doentes e na promoção da continuidade dos cuidados foi a conclusão que emergiu das duas salas em que se desdobrou o debate sobre doenças raras e esclerose múltipla no Workshop Virtual Enfermeiros, “Razão vs Emoção – A Procura do Equilíbrio”, promovido pela Sanofi Genzyme.

Dra. Ana Elisabete e Enf. Fatima 2 original 2 061b9A moderadora da sessão na sala 1, enfermeira Berta Augusto, do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, realçou precisamente “o papel dos enfermeiros como gestores de caso na doença crónica, pois são eles que, permanecendo em estreita proximidade e continuidade com os doentes, os conhecem mais facilmente e identificam com maior facilidade qualquer alteração, fazendo, assim, a ponte entre o doente e os vários membros da equipa de saúde”.

“São também os enfermeiros as pessoas com quem partilham, na maioria das vezes, as suas tristezas e as suas alegrias, são os que provem a boa gestão terapêutica e de emoções, funcionando como agentes facilitadores do processo de gestão e adaptação à doença”, afirmou.

No parecer da enfermeira Berta Augusto, “para que exista qualidade é necessário que exista uma constante formação dos enfermeiros e formação e informação dos doentes”.

“Para mim também será necessário desenvolver guidelines clínicas como suporte à decisão dos prestadores de cuidados e construir parcerias entre os profissionais de saúde que vivem e passam por dificuldades, que criam estratégias diariamente para as ultrapassar”, defendeu.

“Aprendamos com eles [enfermeiros]. Com eles e com tudo o que hoje aqui foi dito, mas eu estou convicta de que esta aprendizagem contribuirá para ajudar a encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção nas nossas tomadas de decisão. E são estas as nossas conclusões”, rematou.

Na sala 2, a moderação esteve a cargo da enfermeira Elisabete Carvalho, que destacou a relevância das intervenções, nomeadamente na abordagem de “aspetos tão importantes como a organização dos próprios serviços para conseguirem dar melhor resposta a estes doentes”.

“É importante também a questão da visão holística dos doentes, que não nos esqueçamos todos que a pessoa que está à nossa frente tem um contexto familiar e social”, sublinhou, considerando que “é preciso dar atenção a detalhes como o horário de tratamento dos doentes, pois a disponibilidade de o doente estar presente no horário que lhe foi marcado pode ser um fator determinante para prosseguir ou não com a terapêutica estipulada”.

Chamou a atenção para a questão da efetividade do enfermeiro, para notar que, “a partir do momento em que são pedidas tantas tarefas ao enfermeiro durante a sua jornada”, há o risco de o foco principal não ser o doente. “Que o doente sinta que vocês estão ali para ele”, apelou, introduzindo o tema da inteligência emocional e de como o enfermeiro pode ajudar o doente a perceber qual a melhor forma para conviver com a sua doença.

E concluiu: “Se calhar, não precisamos saber fazer mais; se calhar, precisamos de aprender a fazer ainda melhor. E ter muito muito orgulho naquilo que fazemos todos os dias. Os enfermeiros que nos estão a ouvir devem estar muito orgulhos do que fazem. Podem nem sempre sentir, porque também não param muito tempo para pensar nisso, mas não tenho dúvidas nenhumas de que fazem o melhor que lhes é possível. Há coisas que não estão nas suas mãos mudar, mas aquilo que fazem, fazem-no muito bem”.

 

MAT-PT-2001011-1.0 – Outubro de 2020