"É nosso dever esclarecer e alertar os cidadãos de que a cesariana é um ato médico que pressupõe uma decisão em equipa, de forma ponderada, para que o risco materno/fetal seja mínimo; é uma intervenção cirúrgica e que continuará a ser executada sempre que necessário, independentemente das questões financeiras implicadas", afirmam os enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia, que consideram que "abordar a saúde como um nicho de oportunidade financeira é imoral".
A posição foi dada a conhecer em comunicado enviado à imprensa, após tornar-se público que os hospitais com taxas de cesariana superiores a 29,5% ou 31,5%, consoante o grau de diferenciação, não vão receber do Estado o pagamento pelos internamentos no âmbito das cesarianas.
Os enfermeiros acreditam que o caminho não é esse e que o Estado poderia ter ganhos financeiros de outras formas, nomeadamente ao aceitar as competências de especialistas destes profissionais, o que levaria a alteração de aspetos processuais e operacionais: "Para o efeito basta que o Ministério da Saúde assuma e aceite que o trabalho dos enfermeiros obstetras representa ganhos em saúde, com otimização de resultados, satisfação e em gestão de recursos financeiros, se em pleno desempenho competencial", dizem.
Bruno Reis, porta voz dos enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia, lembra que "as taxas, a nível das cesarianas, está a decrescer, felizmente, muito por causa de novas práticas e novas abordagens no acompanhamento da gravidez e poucas serão as situações dos hospitais que estarão acima dos 30%". Contudo - diz - "não será uma boa prática reduzir os financiamentos com base em atingir objetivos financeiros na saúde", sendo preciso "pensar em mecanismos de prevenir isso".




