Vacinação: a melhor arma contra a gripe

sexta, 13 janeiro 2017 11:22 Enfermeiro Márcio Filipe Moniz Tavares, presidente do Conselho de Enfermagem Regional dos Açores

Vacinação: a melhor arma contra a gripeApesar de a gripe ser de evolução benigna, subjaz a esta doença uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade.

 

Para além disso, existe um conjunto de implicações que assumem um impacte importante na sociedade em geral, destacando-se, desde já, um maior consumo de recursos de saúde, um maior absentismo laboral e outros custos que não são passíveis de mensurar. Sendo a vacinação a forma mais eficaz na prevenção desta doença e das suas complicações, a sensibilização para a importância desta prática deverá nortear a atuação dos profissionais de saúde, pois desta forma estará a concorrer para uma diminuição da incidência da gripe e para a diminuição da prevalência de co-morbilidades associadas.

Na verdade, estes indicadores, nos últimos anos têm vindo a fixar-se em valores consideravelmente altos. De acordo com o relatório do Programa Nacional de Vigilância da Gripe, a época de gripe sazonal 2014/2015 foi a mais mortal dos últimos 16 anos, estimando-se que tenha havido cerca de 5591 mortes acima do esperado. Pensa-se que este aumento esteja associado ao frio extremo que se fez sentir um pouco por todo o país, ao aumento da incidência de infeções respiratórias agudas, à atividade gripal e à baixa adesão à campanha de vacinação.

Não admira, por isso, que a vacinação contra a gripe seja fortemente recomendada, sendo por essa razão distribuída gratuitamente no Sistema Nacional de Saúde a grupos de risco, de acordo com a Orientação da Direção-Geral da Saúde n.º 004/2016 de 23/09/2016, nomeadamente a:

- Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos;

- Pessoas, independentemente da idade residentes em instituições;

- Pessoas, independentemente da idade, sujeitas a terapêutica de substituição renal crónica (diálise), submetidas a transplante de células precursoras hematopoiéticas ou de órgãos sólidos.

- Pessoas, independentemente da idade, com Trissomia 21, aguardando transplante, sob quimioterapia, fibrose quística, défice de alfa-antitripsina sob terapêutica de substituição, doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória, da eliminação de secreções ou com risco aumentado de aspiração de secreções, desde que possuem declaração médica referindo a sua inclusão num destes grupos de risco

- Profissionais de saúde do SNS com recomendação para serem vacinados.

Para todas as outras pessoas não abrangidas pela vacinação gratuita, a vacina contra a gripe é dispensada nas farmácias, mediante uma prescrição médica e com comparticipação de 37%.

A importância da vacinação prende-se com uma questão básica de saúde pública – a imunização de grupo, protegendo-se, deste modo, populações vulneráveis, dado à sua condição de saúde, potenciando a sua proteção e a daqueles com quem convivem de perto.

Ao enfermeiro, está reservado o desígnio de exercer a sua profissão com “(…) competências científica, técnica e humana para a prestação de cuidados de enfermagem gerais ao individuo, família, grupos e comunidade, aos níveis da prevenção primária, secundária e terciária”, como definido no REPE - Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros, no seu artigo 4º ponto 2. Assim sendo, deverá pautar a sua atuação, com base em um corpo de conhecimentos que lhe permite decidir, conscientemente, e usar meios e técnicas próprias da profissão de enfermagem, de forma a potenciar e a rentabilizar os recursos existentes, no sentido de estimular para a adoção de condutas consonantes com o desejável em termos de saúde, levando à mudança de atitudes e à adesão a comportamentos promotores de mudanças.

Se a responsabilidade social obriga os profissionais de saúde a atuarem em prol daqueles que se encontram em maior risco, também este mandato exige que reconheçam a importância de se vacinarem, pela elevada probabilidade de contrair a infeção e de a transmitir à sua rede familiar e de amizades, bem como aos clientes ao seu cuidado. Recorde-se que os enfermeiros no exercício das suas funções “deverão adotar uma conduta responsável e ética e atuar no respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos.”, como referido no ponto 1 do art.º 8º do REPE - Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros. Para mais, os profissionais de saúde são um dos grupos alvo prioritários para a vacinação e com acesso gratuito à vacina. A sua vacinação configura-se, por um lado, como uma força motivadora para que os clientes adiram à imunização por via vacinal e, por outro, como um direito, que se polariza num dever do profissional em se vacinar, motivo pelo qual estão incluídos nos grupos alvo prioritários e com acesso gratuito à vacina. Ainda assim, na época de 2015/2016 a vacinação dos profissionais de saúde, ficou aquém do espectável, resumindo-se a 45% nos centros de saúde e a 24% nos hospitais. As campanhas de vacinação decorrem durante todo o outono e inverno, privilegiando-se que seja feita preferencialmente, até ao final de cada ano.

Saliente-se, ainda, que a vacinação não pode ser entendida como a única forma de prevenir a doença. A prevenção pela redução da transmissão da gripe deve considerar sempre a etiqueta respiratória, através de boas práticas de higiene e saúde pessoal, uma vez que a gripe se propaga através de partículas aéreas e pelo contacto com superfícies contaminadas. Assim, deve-se considerar a higienização de superfícies, evitar tocar nos olhos, nariz ou boca, lavar frequentemente as mãos com sabonete e água ou proceder à desinfeção das mãos com soluções alcoólicas, tapar a boca durante a tosse ou os espirros; evitar cuspir, a proximidade com doentes e sair de casa no caso de doença.