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Cicatrização rápida e com sucesso

28 Dez. 2016

Enf.º Nuno Ferraz, Enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação a exercer funções na Consulta Externa de Ortopedia do Hospital de Santa Maria (CHLN)Perfil do doente

Maria, 64 anos, reformada e divorciada. Desempenhou uma atividade profissional relacionada com limpezas.

Queixas

Surgiu uma massa numa vertente lateral do joelho esquerdo. No período de um ano, essa massa foi crescendo lentamente acabando por ocupar um espaço significativo. Dirigiu-se ao hospital e foi encaminhada para ser seguida na consulta externa de ortopedia, na especialidade do joelho.

Avaliação

Na primeira consulta foram pedidos exames complementares de diagnóstico, incluindo uma ressonância magnética que revelou um liposarcoma.

Diagnóstico e tratamento

Dado o diagnóstico, com prognóstico reservado, a doente foi encaminhada para a Ortopedia Oncológica, onde foi confirmada a neoplasia maligna que envolvia tecido conjuntivo e partes moles do membro inferior esquerdo. Foi proposta uma cirurgia, pois preenchia todos os critérios para ser submetida a uma intervenção cirúrgica. No mesmo momento cirúrgico, foi realizada uma resseção alargada dessa massa tumoral, assim como um retalho muscular que envolveu o gémeo interno destinado a preencher o espaço anteriormente ocupado pela massa tumoral e um enxerto de pele. No fundo, a intervenção a esta doente originou uma ferida cirúrgica cujo centro era o local onde estava a massa tumoral que foi removida, preenchida e fechada com enxerto cutâneo (pele extraída de outra zona limítrofe). Passou a ter três entidades: zona dadora, ferida cirúrgica e retalho do enxerto.

Todavia, cerca de 15 dias depois do ato cirúrgico, na substituição do penso, verificou-se que o retalho estava necrosado e como tal, sem viabilidade, pelo que foi parcialmente desbridado. Posteriormente, foi programada uma limpeza cirúrgica no bloco operatório. A ferida passou a ser caracterizada como ferida crónica, dada a sua evolução mais lenta do que seria de esperar enquanto ferida cirúrgica, em processo de cicatrização por segunda intenção. Na zona dadora ocorreu a epitelização, mas esse epitélio novo era muito fino e, por isso, necessitava de hidratação intensa. Entretanto, a abordagem do tratamento da ferida crónica, por segunda intenção, foi evoluindo favoravelmente ao longo de 3 meses em que houve uma redução dos bordos em cerca de 75%. Nesta fase, dada a existência de um leito de ferida viável, optou-se por voltar a enxertar essa pequena área de ferida, através de um procedimento cirúrgico no bloco operatório, com nova zona dadora. Desta cirurgia, resultou uma cicatrização de acordo com as previsões. Utilizamos creme gordo Barral para fazer uma hidratação profunda dos tecidos novos, para uma maturação saudável desses tecidos.

Resultados

Os resultados finais foram excelentes, na medida em que obtivemos uma cicatrização relativamente rápida, quer da zona dadora, quer da zona enxertada, sendo que ambas careciam de hidratação na fase de maturação. Depois de conseguirmos uma pele integralmente epitelizada, fizemos uma hidratação em profundidade e rica em nutrientes, especificamente para a fase de maturação.

Atualmente, esta utente faz a sua vida normal e tem a pele íntegra, embora com algumas marcas de todo o procedimento, mas muito ténues.

 

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