Estudantes de enfermagem estão confiantes: "Não tenciono emigrar"

quinta, 13 abril 2017 10:21 Patrícia Teixeira, 24 anos, frequenta o 4.º ano de Enfermagem na Universidade Fernando Pessoa

Enfermagem, "a mais bela das artes"Patrícia Teixeira, estudante de enfermagem na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, mostra-se confiante com o futuro e com a escolha que fez. Diz-se "sortuda" por poder seguir a área que escolheu e quer exercer em Portugal. "Não tenciono emigrar", afirma, admitindo que "se eventualmente tiver que o fazer será uma situação triste".

 

Enfermagem porque...

Sou uma pessoa muito comunicativa, gosto de pessoas, lidar com elas e, principalmente, de cuidar. Desde miúda sempre foi o meu sonho, sempre disse que quando fosse maior queria ser enfermeira, assim poderia lidar com as pessoas e cuidar delas.

Ligação com a área

Tenho familiares na área que, sem dúvida, contribuíram para criar o “bichinho” da arte do cuidar.

A escolha da universidade

Primeiro, é uma universidade no centro do Porto, perto de tudo e de fácil acesso de transportes; segundo, porque a Universidade Fernando Pessoa é uma universidade conceituada, na medida em que se assume com inovadora em termos de conhecimento e ensino, assim como tem em vista objetivos voltados para a investigação e extensão comunitária - o que me interessou muito; terceiro - e um dos pontos que contribuiu bastante -, foi o facto de, no curso de Enfermagem, o ensino teórico e prático estarem muito bem interligados, sendo que o contacto clínico é possível logo desde o 2.º ano.

O curso

Sem dúvida, correspondeu às expetativa. Estes quatro anos têm sido um desafio constante. A enfermagem é uma profissão, a meu ver, apaixonante, embora exigente. Desde o inicio o curso, tem sido um "mundo" de desafios, oportunidades, de entrega, de destreza e de vários sentimentos, quer de alegria quer de tristeza.

A formação está adequada à prática e essa foi uma das razões que mais me agradou quando decidi optar pela Universidade Fernando Pessoa. Desde o 2.º ano há prática clínica e esse contacto com as pessoas permite aos alunos perceber se realmente é esta profissão que querem para o futuro. E, claro, com todos os ensinos clínicos que já passei, com tantas vivências experienciadas, posso dizer que já me sinto preparada para exercer a profissão, embora tenha a certeza que, quando exercer, vou estar continuamente a aprofundar o meu conhecimento e a adquirir novos saberes.

Os desafios

Os maiores desafios prendem-se com o facto do curso exigir de nós cada vez mais sensibilidade, para compreender muitas das vezes o que é invisível aos outros, domínio de técnicas importantes para podermos atuar consoante o que é necessário no momento, ter uma atitude firme para lidar com conflitos e estabelecer prioridades e ser muito generoso para com a vida. Relativamente aos desafios que espero ter enquanto profissional, acho que os que referi em cima também se poderão vir a aplicar no futuro.

Neste momento, a minha única preocupação é finalizar o curso com o maior sucesso possível. Sou uma pessoa muito crítica de mim mesma e gosto de dar o meu melhor para que, assim, seja mais fácil acreditar num futuro risonho. Quero acreditar que num futuro próximo haja mais oportunidades para a profissão.

Experiência 'in loco'

Tive a possibilidade de, ao longo do curso, realizar os ensinos clínicos em diversos campos de estágio, desde o Hospital Escola Universidade Fernando Pessoa (hospital da universidade), que se situa em Gondomar, o Centro Hospitalar do Porto, o Hospital de São João, o Centro Hospitalar de Gaia e ainda a Unidade de Saúde Familiar Santa Maria, pertencente aos Centros de Saúde de Rio Tinto. Cada campo de estágio deixou a sua marca neste meu percurso académico, até porque em cada um deles realizei as diversas especialidades correspondentes às cadeiras teóricas realizadas no âmbito curricular. Em todos tive um bom desempenho e realizei os ensinos clínicos sempre com sucesso. Se fosse a particularizar situações, acreditem que nunca mais saía daqui, porque há uma panóplia de situações que me marcaram muito e que contribuíram para o meu desenvolvimento a nível pessoal, assim como a nível profissional de uma futura enfermeira. Se era o que esperava? Sim, daí ter continuado sempre este percurso e nunca ter desistido deste meu sonho, todos os ensinos clínicos só vieram dar ênfase a este amor que sinto pela enfermagem.

Depois do curso, Portugal ou estrangeiro?

Claro, um dos meus maiores objetivo é conseguir terminar e exercer a profissão cá. Não tenciono emigrar, se eventualmente tiver que o fazer será uma situação triste para mim.
Sou uma pessoa confiante e acredito, como já referi anteriormente, que num futuro próximo haja mais oportunidades a nível nacional para a profissão.

Se pudesse voltar atrás...

Escolhia o mesmo trajeto. Amo esta profissão, a mais bela das artes, e sou uma sortuda por poder fazer o que mais amo! É preciso amar, para cuidar!

"A enfermagem é uma arte e, para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor, pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes, poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!", Florence Nightingale