"Enfermagem é uma profissão única"

sexta, 03 fevereiro 2017 10:05 Joana Gonçalves, 27 anos, frequenta o 4.º ano de Enfermagem na Escola Superior de Saúde de Santarém

joana goncalves 100 bdc86Numa altura em que a profissão passa por algumas desventuras, há ainda quem acredite nela e lute por conseguir um lugar na área e em Portugal. É o caso de Joana Gonçalves, que depois de um curso de técnica de fisioterapia decidiu lutar pelo sonho de ser enfermeira. "Enfermagem é um profissão única, de um valor inacreditável e não me sentiria completa se não fosse enfermeira, se não pudesse cuidar do outro", afirma.

Enfermagem porque...

Desde sempre foi um desejo, um sonho, um objetivo, uma forma de concretização pessoal. Talvez por ter um grande amigo enfermeiro na família, desde cedo o bichinho da Enfermagem apareceu no meu caminho, pois via-o cuidar das pessoas de uma forma incrível, um cuidar centrado nelas, vendo a pessoa como um ser holístico, dando sempre resposta a todas as suas necessidades. Ou seja, ganhei este gosto pois observei o cuidar de um enfermeiro com um "E" grande e o meu desejo era um dia conseguir ser como ele, conseguir construir o meu caminho no sentido de poder vir a cuidar das pessoas, ajuda-las na sua recuperação e proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida.

Ligação com a área

Tenho esse grande amigo da família, que através da sua arte de cuidar me transmitiu o gosto de cuidar do outro.

A escolha da universidade

Penso que é uma instituição com um elevado grau de exigência teórico-prático, que nos transmite todos e os melhores conhecimentos para que possamos ser enfermeiros de distinção. É uma escola pequena e, por isso mesmo, acaba por ser uma família, toda a gente se conhece.

Na minha escola, e principalmente na minha turma, existe outro aspeto muito relevante: a competitividade. Nós somos muito exigentes connosco próprios, nunca ficamos muito satisfeitos em ter notas só para passar e tentamos sempre o máximo que conseguimos para podermos ter um melhor aproveitamento. Durante estes quatro anos, a presença neste estabelecimento de ensino fez-nos crescer muito, transformou-nos em pessoas melhores, mais responsáveis, com uma maior panóplia de conhecimentos e, sem dúvidas, prontos para entrarmos no mundo do trabalho e cuidarmos de quem mais precisa de nós.

O curso

O curso corresponde às expectativas. Apesar de ser um curso com um grande número de horas teóricas, acho que está muito bem estruturado, tendo em conta a diversidade de estágios que nos são proporcionados. Ao longo dos quatro anos passamos por oito locais de estágio de diferentes especialidades e nós, estudantes, não temos que nos preocupar na obtenção de nenhum destes locais, pois todos eles são assegurados pela escola. Outra questão que acho relevante mencionar é o facto dos professores nos acompanharem nos primeiros contextos de estágio, trabalhando e percorrendo connosco o nosso caminho de aprendizagem em ensino clinico, o que nos dá possibilidade de uma aprendizagem mais “apertada”. Estes estão constantemente a questionar a forma como vamos fazer as coisas e porque as vamos fazer, o que nos faz desenvolver uma capacidade de reflexão e de pensamento crítico para que prestemos sempre o cuidar a pessoa de forma correta de sem dúvidas.

Os desafios

Para mim, os maiores desafios do curso são dar resposta na prestação de cuidados e pôr em prática todos os conhecimentos adquiridos em ensino teórico. Não só os professores são fundamentais neste processo de aplicação de conhecimentos, mas também os enfermeiros que nos recebem em contexto de estágio e que, com a sua ajuda, facilitam o crescimento e aprendizagem ao longo deste percurso.

Enquanto profissional, acho que o primeiro maior desafio vai ser encontrar trabalho em Portugal, apesar das coisas estarem um pouco melhores - penso. Mas o meu maior desafio vai ser diário, no sentido de prestar cuidado ao doente de forma centrada, de forma holística, dando resposta a todas as suas necessidades. Outro desafio será a constante necessidade de consolidação e atualização de conhecimentos, para que o cuidado seja prestado de forma mais completa.

Experiência 'in loco'

Até agora todas as experiências que tive correram bem, sendo que há campos de estágios em que vamos mais apreensivos do que outros, talvez porque não nos identificamos muito com a área, ou porque nos parece ser um contexto muito difícil e ainda não nos sentimos totalmente preparados. Até hoje passei sete campos de estágio. No estágio de Urgência Geral eu estava mais reticente por muitos fatores: por ser um estágio onde começamos a fazer turnos, um estágio onde o professor já não estava de forma presencial e por ser um sítio totalmente diferente de todos os que já tinha passado, um estágio onde teria de lidar com situação de urgência e de emergência. Após a primeira semana de estágio já não queria sair deste campo de estágio, tive comigo uma enfermeira muito exigente mas incrível, que me ajudou a crescer e na aquisição de conhecimentos de uma forma esplendida. São todas estas experiências de estágio que nos fazem crescer e nos fazem ser enfermeiros de qualidade e referência, pois, apesar da teoria ser muito importante, o ensino clínico torna-se fundamental.

Preocupações

As maiores preocupações de um estudante de enfermagem são em relação ao futuro, no que diz respeito a aquisição ou não de trabalho no seu respetivo país. A mim, também é o que mais me preocupa, mas tento estar confiante.

Depois do curso, Portugal ou estrangeiro?

Portugal, sem dúvida.

Se pudesse voltar atrás...

Escolheria o mesmo trajeto. Enfermagem foi sempre o que quis. Comecei por fazer um curso de técnica de fisioterapia, mas nunca deixei de lutar para um dia ser enfermeira. Enfermagem é um profissão única, de um valor inacreditável e não me sentiria completa se não fosse enfermeira, se não pudesse cuidar do outro. “Ser enfermeiro é um desejo que eu procuro conquistar…”.