Atualidade

Cancro da pele: pandemia favorece atrasos no diagnóstico e tratamento

04 Fev. 2021

O dermatologista Osvaldo Correia, da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, considera que, pela dificuldade de acesso dos pacientes aos seus médicos assistentes ou especialistas, nomeadamente dermatologistas, a pandemia de Covid-19 favorece atrasos nos diagnósticos e tratamentos precoces do cancro cutâneo, com consequente maior morbilidade e mesmo risco de mortalidade. 

No caso dos carcinomas basocelular e espinocelular, mas sobretudo nos melanomas, entende que a existência de atrasos ou adiamentos de tratamentos favorece um maior risco de disseminação. “No melanoma esse atraso poderá favorecer a disseminação ganglionar ou mesmo disseminação sistémica com consequente pior prognóstico, maior morbilidade e mortalidade e custos acrescidos”, concretiza.

Aconselha, pois, a que se mantenham os cuidados de prevenção, nomeadamente o autoexame da pele, independentemente de se viver um momento de confinamento, logo de menor exposição solar. Nesse contexto, aconselha a consulta do site da APCC, em que é disponibilizada a sequência adequada para efetuar esse exame, bem como as características dos sinais benignos, das lesões malignas ou pré-malignas. “Perante lesão de novo ou modificação recente, diferente das outras, deverá recorrer ao seu médico de família, ou mesmo ao seu dermatologista, para avaliar se justifica extração ou não”, alerta.

Quanto ao risco de adoção de comportamentos de maior risco quando o confinamento cessar, comenta que “é natural e previsível que as pessoas tenham vontade forte de se sentir mais livres e, eventualmente, se exporem ao sol”. E, por isso, recomenda: “É muito importante estar atento não só à temperatura, mas, sobretudo, à intensidade da radiação UV (ultravioleta), que varia de 0 a 11. Com níveis inferiores a 2, os níveis são muito baixos e não existe qualquer risco de exposição , até UV 5 a exposição gradual e progressiva ao sol até é benéfica para várias doenças de pele (eczemas, estados seborreicos e acneicos, entre outros), mas, se a exposição é prolongada ou a horas entre as 11 e 17, há necessidade de proteção solar adequada; entre 6 e 7 os níveis são elevados e a proteção já exige cuidados acrescidos, entre UV 8 e 10 é muito elevado e é desaconselhado a exposição intencional nas horas de risco, exigindo-se uso de roupa de tecido e design adequado quando em atividades ao ar livre ; níveis 11 são caracterizados como extremo e as pessoas deverão ficar completamente fora de exposição intencional”.  A propósito, nota o papel do protetor solar, afirmando que os com índice (SPF) 30+, ou mesmo 50+ quando índices de UV mais elevados, em textura de creme ou leite, são os mais adequados para a proteção de pele exposta. Recomenda também “evitar texturas muito fluidas ou invisíveis, pois raramente proporcionam proteção anti UVB e anti UVA adequada”. E preconiza, sempre que possível, que se use chapéu e roupa com textura adequada.

O dermatologista, que é também professor afiliado da Faculdade de Medicina do Porto, lembra ainda que “a radiação UV tem vantagens potenciais e relevantes na atenuação da agressividade do SARS-CoV-2 e do risco de contagiosidade a partir de todas as superfícies”. Chama a atenção para a importância de expor o vestuário e outras superfícies ao sol, pois “poderá ter benefício neste tempo de Covid-19”.

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