Atualidade

Os enfermeiros são fundamentais em cenários de emergência

14 maio 2015

Entrevista a Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI.

Pergunta: Quais os principais eixos que representarão os grandes desafios para a Saúde no plano internacional?

Fernando Nobre: Os principais eixos que representarão os grandes desafios para a saúde no plano internacional serão, sem dúvida, as alterações climáticas e as migrações, a pobreza extrema e a fome, o crescimento demográfico na África Subsariana e os conflitos em crescendo no Médio Oriente, na zona do Sahel e na Europa.

Pergunta: Qual o papel que a AMI assume nas situações de catástrofe e apoio humanitário?

Fernando Nobre: A AMI tem como Missão levar ajuda humanitária e promover o desenvolvimento humano, tendo em conta os Direitos Humanos e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, nas áreas da saúde, social e ambiental, em qualquer parte do mundo, independentemente de raça, idade, género, nacionalidade, política, religião, filosofia ou posição social, olhando para cada pessoa como um ser único, insubstituível, digno de atenção e cuidado.
Na área internacional, a AMI desenvolve três tipos de intervenções, designadamente, missões de emergência, missões de desenvolvimento e projectos internacionais em parceria com organizações locais. As missões de emergência decorrem em cenários que justifiquem o envio de recursos humanos expatriados e materiais como resposta a crises naturais ou humanas. Estas intervenções implicam a elaboração e implementação de projectos, preferencialmente na área da saúde, implicando um envolvimento de toda a estrutura da AMI.
Em 30 anos, a AMI levou a cabo 54 missões de emergência em 30 países, dos quais 31 decorreram de conflitos, 18 de catástrofes naturais e cinco de surtos epidémicos.

Pergunta: Quais os grandes desafios para a Saúde no plano internacional?

Fernando Nobre: Os eixos mencionados anteriormente representam os grandes desafios para a saúde no plano internacional, na medida em que as alterações climáticas implicarão movimentação de vários insectos transmissíveis de doenças (malária, dengue…) assim como migrações de centenas de milhões de pessoas em todos os continentes do Planeta. A mobilidade dos vectores e das pessoas em massa representarão desafios enormes para a Saúde no plano internacional e, ipso facto, para a acção humanitária, sendo que novas pandemias poderão também surgir, tais como febre hemorrágica do Vale do Rift, Vírus do Nipah, Ébola ou Dengue.
É, por isso, imperativo que sejam criadas, desde já, as condições (educacionais, legislativas, urbanísticas…) para se poder fazer face ao movimento migratório que irá, certamente, tomar uma amplitude muito maior com os mais de 50 milhões de refugiados e deslocados no Mundo, e com as alterações climáticas à porta, que provocarão muitas mais dezenas de milhões de refugiados e deslocados.
Por sua vez, a miséria extrema, a fome e a desnutrição grave estão, inevitavelmente, associadas a 55% dos casos de morte infantil com menos de cinco anos e ao elevado índice de morte materna nos países menos avançados.
O crescimento demográfico na África Subsariana constituirá também um enorme desafio, pois, se hoje essa população representa 1/7 da população mundial actual de cerca de 7.000 milhões de pessoas, em 2060, segundo os últimos dados das Nações Unidas, representarão 3,5 a 5/11 (entre o dobro e o triplo do número actual) da população mundial que tudo aponta, aumentará para 11.000 milhões de pessoas.
Os conflitos em crescendo no Médio Oriente, na zona do Sahel e na Europa (Ucrânia/Rússia) terão também eles desafios enormes de Saúde, de deslocados e de segurança humanitária dos próprios agentes humanitários, sendo, por isso, urgente apostar, desde já, na formação, prevenção e resiliência em zonas de maior risco.

Pergunta: Qual o papel dos enfermeiros no apoio a situações de catástrofe e apoio humanitário?

Fernando Nobre: O papel dos enfermeiros em cenários de emergência e catástrofe é fundamental, sendo que estes profissionais de saúde deverão ter espírito humanitário e de voluntariado e ser capazes de trabalhar em equipa, deverão ter espírito de iniciativa, capacidade de resolução de problemas e de adaptação a cenários difíceis e de insegurança.

Fonte: Ordem dos Enfermeiros

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