Lúcia Leite: "o ensino que temos não prepara os enfermeiros para o exercício liberal"

segunda, 07 dezembro 2015 10:35

A atual vice-presidente do Conselho Diretivo da Ordem dos Enfermeiros e candidata a Bastonária daquela Ordem profissional, pela lista "Enfermeiros com + Valor", Lúcia Leite, defende que é prioritário adequar o ensino da Enfermagem às exigências da profissão e ao contexto nacional.

No âmbito do encontro "E3 - Os Enfermeiros e o Ensino de Enfermagem", que decorreu na Universidade Católica Portuguesa do Porto, a candidata participou num frente-a-frente, que contou com a presença de mais quatro candidatos - José Carlos Gomes, Alexandre Tomás, Sérgio Gomes e Maria Helena Cordeiro Relvão.

"É fundamental que os percursos académicos e profissionais sejam independentes entre si, embora com possibilidade de reconhecimento, para se dar o salto na valorização social da profissão. É de salientar que, nos últimos 25 anos em Portugal, a Enfermagem, como disciplina e profissão, teve um desenvolvimento exponencial. Contudo, o aumento de responsabilidades atribuídas aos enfermeiros e das exigências dos contextos de exercício não foram acompanhadas pelos necessários ajustamentos do ensino", disse Lúcia Leite no encontro.

Para a candidata a mudança do ensino de Enfermagem para o Sistema Superior Universitário é imperiosa por força do enquadramento legal da profissão. "O ensino que atualmente temos não prepara os enfermeiros para o exercício liberal, principio que esteve na base da criação da Ordem dos Enfermeiros. A sociedade tem que saber que respostas às necessidades de saúde pode esperar dos enfermeiros e os enfermeiros têm que ser capazes de mostrar ao cidadão os ganhos que podem obter com os cuidados de Enfermagem. E se não refletirmos esta temática em profundidade a profissão pode perder muito daquilo que ganhou em anos de luta", salientou.

Neste frente-a-frente, Lúcia Leite afirmou, ainda, que "não é altura ideal para debater a reforma do ensino de Enfermagem. Em campanha todos vendemos sonhos, ideais! Temos que discutir esta matéria como enfermeiros, sem defendermos interesses particulares, ou não chegaremos ao melhor para a profissão".

Assim, Lúcia Leite defendeu uma formação académica de qualidade e a acreditação de idoneidade formativa. "Temos atualmente 42 instituições que formam licenciados em Enfermagem, algumas em condições duvidosas, contudo a Ordem não tem nenhum instrumento que lhe permita fechar os cursos que não respeitem o enquadramento conceptual e deontológico da profissão, nem tem como verificar se o licenciado em Enfermagem adquiriu efetivamente as competências regulamentadas para o exercício profissional de enfermeiro", destacou a candidata.

Lúcia Leite considera que não é pela criação de um ranking que vamos fazer a diferença, mas é necessário avaliar escolas, avaliar docentes e acima de tudo a Ordem tem definir os requisitos gerais a que todos os cursos estejam obrigados. Como intervenção prioritária a Ordem deve exigir que o último Ensino Clínico da licenciatura seja realizado em contexto acreditado e com supervisores clínicos certificados pela Ordem.

O título de enfermeiro é atribuído administrativamente tendo por base um diploma de qualquer curso homologado pelo Ministério da Educação e Ciência, sem que a Ordem detenha qualquer poder para avaliar a qualidade do mesmo ou inviabilizar o seu funcionamento. A acreditação da Idoneidade formativa dos contextos de prática clinica é uma aspiração da Ordem há algum tempo e que tem sobretudo como objetivo assegurar condições para a realização do Exercício Profissional Tutelado (EPT) de acesso à profissão, assente numa estratégia de melhoria contínua da qualidade e desenvolvimento da enfermagem, usando dispositivos de apoio técnico e de auditoria. Não sendo possível utilizar esta estratégia para o (EPT) tem que ser, pela sua importância que tem para a profissão, reorientada para outros objetivos, como por exemplo os estágios dos alunos da licenciatura e das especialidades em Enfermagem.