Assembleia Geral marcada com 48 horas de antecedência indigna enfermeiros

quinta, 04 janeiro 2018 10:44

A Ordem dos Enfermeiros (OE) convocou estes profissionais para uma Assembleia Geral, a decorrer em Coimbra, este mês, com apenas 48 horas de antecedência, o que fez com que a adesão fosse muito baixa. Os enfermeiros estão indignados com esta situação, dizem-se privados de participar nas decisões e falam de uma "prática reiterada".

"Os signatários, antigos dirigentes da Ordem dos Enfermeiros, vêm por este meio manifestar a sua veemente indignação pela prática reiterada de convocatórias para Assembleias Gerais da Ordem dos Enfermeiros Portugueses com a antecedência de 48 horas, tal como aconteceu com a que ocorreu hoje [3 de janeiro] em Coimbra, o que desprestigia o órgão de participação dos enfermeiros e em última análise a própria profissão", lê-se em comunicado, que é assinado por Ana Sara Brito, Maria Augusta de Sousa, Jacinto Oliveira, Maria Teresa Marçal e Lucília Nunes.

De acordo com estes profissionais, na assembleia só estiveram presentes cerca de 70 enfermeiros, o que representa cerca de 0,1% dos membros da OE. "A quem serve uma Assembleia Geral com a presença de 0,1% dos enfermeiros portugueses?", questionam os signatários, que consideram esta situação de "imoral" e passível de ser interpretada como "a vontade de impedir a participação dos membros nas decisões que lhes dizem respeito".

"Quem tem medo de quê? Será que se pretende impedir a análise, discussão e decisão pelos enfermeiros sobre matérias que a todos dizem respeito? Será que os atuais órgãos da OE pretendem decidir o futuro da profissão sozinhos? A quem servirá tal estratégia tão redutora, em que 70 decidem por 70.000?", reforçam os antigos dirigentes, dizendo estar em causa "a participação democrática, pluralista, informada, na vida da organização e no futuro da Enfermagem".

Os enfermeiros afirmam que, à semelhança desta assembleia, outras já tinham sido agendadas nos mesmos moldes, mesmo tendo na sua ordem de trabalhos vários pontos importantes para a carreira destes profissionais. Além disso, segundo referem, neste encontro, também os relatórios de atividades e de contas de 2016, que tinham sido reprovados noutra Assembleia Geral, voltaram a estar em apreciação sem qualquer alteração.

No comunicado lê-se ainda que os Estatutos indicam que uma Assembleia Geral Extraordinária pode ser convocada com 48 horas de antecedência, mas apenas quando a premência de decisões a tomar o exija, o que, na visão dos signatários, não era o caso.