Tondela-Viseu: falta de enfermeiros põe em causa cuidados de saúde

terça, 19 dezembro 2017 15:34

A carência de enfermeiros no Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) tem vindo a agravar-se e, atualmente, já coloca em causa a prestação de cuidados. O alerta é dado pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), referindo ainda horas extras sem pagamento garantido, processos de recrutamento inacabados, falta de consumíveis clínicos e pressão sobre estes profissionais.

Segundo o SEP, a situação no centro hospitalar tem piorado "de dia para dia". Há meses que a instituição não faz quaisquer contratações, "nem mesmo para substituição das ausências de longa duração", e no início de janeiro, com vários enfermeiros com contrato por tempo indeterminado a saírem para tomar posse nos Cuidados de Saúde Primários, a situação vai agravar-se.

"A carência é de tal ordem que em alguns serviços o número de enfermeiros por turno tem vindo a ser reduzido, pondo em causa a qualidade dos cuidados de enfermagem, e noutros serviços, têm sido atribuídos turnos aos enfermeiros para além do Plano Normal de Trabalho, existindo já alguns colegas com mais de 200 horas acumuladas, sem que haja conhecimento de como serão pagas estas horas", escreve o sindicato, reforçando que a solução não pode passar por "sobrecarregar as equipas com horas acumuladas e consequente exaustão".

Diz também que a seleção para recrutamento de enfermeiros não está concluída e que, por isso, mesmo que haja autorização para contratar por parte da tutela, o CHTV não está preparado para avançar: "O processo de seleção para a bolsa de recrutamento não está ainda finalizado".

No comunicado do SEP, lê-se ainda que "tem existido rutura de stock de alguns consumíveis clínicos [no CHTV], o que tem dificultado o trabalho dos profissionais" e que o sindicato tem recebido "várias denúncias de pressão sobre diversas colegas que se encontram a exercer o seu direito ao aleitamento materno no sentido de estas prescindirem deste período ou de aceitarem horários desadequados às necessidades das suas crianças".

Por isso, e porque a unidade hospitalar não aceitou reunir com o SEP para debater o assunto, a estrutura sindical decidiu avançar com uma denúncia pública.