Gripe: Ordem alerta para "caos" nas urgências. DGS nega

quinta, 07 dezembro 2017 11:07

A Ordem dos Enfermeiros (OE) antecipa "o caos nos hospitais e centros de saúde" nesta época gripal, dado que as unidades de saúde continuam sem autorização para contratar enfermeiros. A DGS já reagiu e rejeita um quadro caótico, mas admite mais tempo de espera.

Segundo a OE, a 4 de outubro alertou para a necessidade de reforçar os serviços antes do período da gripe, mas "até ao momento, o ministro [da Saúde] não fez nada": "Os hospitais continuam sem autorização para contratar enfermeiros para o período de contingência da gripe. Como de costume, temo que vamos assistir ao caos nos hospitais e centros de saúde", lê-se no comunicado da Ordem.

No mesmo documento, é referido que, com a conclusão do concurso de enfermeiros para os centros de saúde, muitos profissionais dos hospitais concorreram e estão a ser deslocados para os centros de saúde, agravando ainda mais a carência de enfermeiros nas unidades hospitalares. A Ordem afirma ainda que os números de contratação apresentados pelo ministro "são falsos, porque contam com as substituições dos enfermeiros que entram de baixa" e recorda que há "milhares de horas" em dívida aos enfermeiros.

A bastonária Ana Rita Cavaco nota também que Adalberto Campos Fernandes "não responde às interpelações da OE desde julho" e frisa que a Ordem "questiona a continuidade do ministro da Saúde no cargo".

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, reagiu ao alerta da OE, dizendo que de um tempo de espera superior ao caos "vai uma grande diferença". Em declarações à Renascença, a responsável garante que os serviços de saúde estão preparados para uma maior afluência de doentes durante o período de gripe.

"Temos de estar preparados para uma altura do ano na qual se adoece de facto mais, se procuram mais cuidados de saúde e, provavelmente, o tempo de espera terá de ser superior a uma altura do ano mais amena, em que a pressão sobre os serviços é menor. Daí até ao caos vai uma grande diferença", argumentou Graça Freitas, acrescentando que os planos de contingência estão prontos a serem acionados, se necessário.