Falta de enfermeiros está "próximo do insuportável"

sexta, 17 novembro 2017 16:42

"Chegamos a um ponto que anda próximo do insuportável, do intolerável". É Paulo Parente, presidente da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP), que o diz, lembrando que, quanto ao número de enfermeiros por habitante, Portugal apresenta "um registo muito abaixo da média da União Europeia". O país tem, atualmente, sete profissionais de enfermagem para cada mil habitantes.

Em entrevista ao Jornalismo Porto Net, o presidente da ESEP afirmou que esta é uma situação mais grave do que a falta de médicos e que "passa mais por uma má distribuição" dos profissionais do que pela falta de candidatos.

"Temos 270 vagas e sempre candidatos na ordem dos mil, o que é quase quatro candidatos por cada uma das vagas", refere Paulo Parente. O problema - diz - está no "difícil acesso" à profissão em Portugal, com uma "forte contenção nas admissões na Administração Pública".

O responsável entende que "o Estado não tem disponibilidade para investir na resposta às necessidades da população", mas, mesmo assim, considera que a proposta recentemente apresentada para a carreira dos enfermeiros é "escassa", dando exemplo dos baixos ordenados: "Vemos aumentos de 200, 400 euros em algumas profissões que viram a sua carreira revista. Os enfermeiros, como são muitos e têm um fortíssimo impacto em termos de finanças públicas, não são revistos", afirma, acrescentando que os enfermeiros são "das profissões mais mal pagas na Administração Pública".