Hospital de Guimarães faz corte "ilegal" no ordenado de especialistas

segunda, 30 outubro 2017 11:10

O Hospital de Guimarães descontou do ordenado de 17 enfermeiras os dias que estas estiveram em protesto pelo reconhecimento do título de especialista, apesar destas não terem deixado de trabalhar. Tiago Soares, advogado do grupo de enfermeiras, diz que o corte é "ilegal" e "abusivo".

Em declarações ao Guimarães Digital, Goreti Pimentel, do Movimento dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO), avança que os descontos nos vencimentos chegam a 1.700 euros: "Há colegas que receberam 90 euros, outro 14 e até há quem tenha saldo negativo, ou seja, ainda devem dinheiro ao hospital", afirmou, salientando que estes "acertos" apenas se referem aos meses de agosto e setembro, pelo que vão continuar nos próximos meses, já que os EESMO mantiveram protesto até outubro.

O Hospital de Guimarães "subtraiu ilegal e abusivamente" no vencimentos das enfermeiras os dias em que estiveram em protesto "sem que elas tenham deixado de trabalhar", tendo elas exercido "em pleno" as funções de enfermeiro generalista, "função para a qual foram contratadas", refere o advogado Tiago Soares, em declarações à Lusa e citado pela TVI24.

"As senhoras enfermeiras receberam hoje os recibos de vencimento e foram confrontadas com descontos relativos a dois meses, ou seja das supostas faltas de agosto e setembro em que estiveram em protesto, no recibo de um mês. Não basta a marcação das faltas ser ilegal como deduzem tudo num único mês", disse o advogado, acrescentando que as enfermeiras "vão reagir da forma mais veemente possível a esta ilegalidade gritante".

A Ordem dos Enfermeiros também vê os cortes como "ilegais" e já reafirmou o seu apoio às enfermeiras especialistas.

"As 17 enfermeiras especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (ESMO) do Hospital de Guimarães foram novamente alvo de cortes ilegais nos salários", refere a Ordem em comunicado, onde anuncia que "vai voltar a acionar o seu fundo social disponível" para apoiar estas enfermeiras e sugere a saída dos sindicatos das negociações: "Se isto é para continuar, os sindicatos devem retirar-se imediatamente das negociações", afirma a bastonária da OE.

Ana Rita Cavaco também vai marcar presença numa manifestação que foi, entretanto, agendada para esta terça-feira, dia 31 de outubro, à entrada do Hospital de Guimarães.