Enfermeiros querem aumento de 400€. Ministro diz que é "incomportável"

quarta, 27 setembro 2017 10:55

O Governo propôs um subsídio de 150 euros para os enfermeiros especialistas como medida transitória, até à negociação das carreiras em 2018, mas os enfermeiros consideraram a proposta "insuficiente" e exigem um aumento mínimo de 400 euros para todos, caso contrário partem para nova greve. O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, diz que é um valor "absolutamente incomportável".

A Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), constituída pelo Sindicato dos Enfermeiros (SE) e pelos Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE), reuniu esta terça-feira com o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, a quem entregou um caderno reivindicativo no âmbito das negociações em curso.

Segundo José Azevedo, dirigente do SE, os enfermeiros exigem a resolução imediata das faltas injustificadas que foram marcadas aos enfermeiros que participaram na greve que decorreu de 11 a 15 de setembro, um aumento mínimo de 400 euros "para todos os enfermeiros", o retomar das negociações do acordo coletivo e as 35 horas para todos os profissionais de enfermagem.

FENSE e Governo chegaram a acordo quanto à passagem das 40 para as 35 horas semanais e quanto a deixar para outubro as negociações sobre o estatuto da carreira, mas não concordaram quanto ao valor do subsídio transitório.

Para José Azevedo, nem o valor proposto, nem o facto de ser apenas para os enfermeiros especialistas é aceitável. O dirigente sindical avançou que, caso o Governo não responda positivamente às reivindicações até sexta-feira, 29 de setembro, a FENSE irá marcar uma nova greve de cinco dias, a partir de 16 de outubro, que pode ser mais alargada: "Para já avançamos com uma greve de cinco dias, a qual poderá depois passar a tempo indeterminado", disse o dirigente à saída da reunião.

Adalberto Campos Fernandes considera o aumento pedido "absolutamente incomportável". O ministro alerta que as expectativas dos enfermeiros "não podem ser irrealistas" e afirma que as propostas apresentadas pelos sindicatos "são na sua maioria sensatas, mas algumas não o são".

"Trata-se de fazer propostas sensatas, equilibradas, de acordo com o enquadramento orçamental que o país tem para 2018, num momento em que estamos a preparar o Orçamento de Estado", disse o ministro da Saúde, acrescentando que a tutela "tudo fará até ao último minuto para que o acordo exista".

Também o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) tem greve marcada para os dias 3, 4 e 5 de outubro.