SEP não faz greve e reúne com ministro da Saúde

terça, 12 setembro 2017 11:27

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) mantém-se à margem da greve convocada pela Federação Nacional dos Sindicados dos Enfermeiros (FENSE), que decorre ao longo de toda esta semana, por entender que as negociações ainda estão a decorrer e que ainda não chegou a um "processo de rutura" com o Ministério da Saúde, com quem reúne esta terça-feira. Admite, no entanto, juntar-se à paralisação se não forem apresentadas propostas que vão ao encontro das pretensões dos enfermeiros.

Em entrevista na RTP, José Carlos Martins, presidente do SEP, explica que "no dia 22 de março, com a CNESE - com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira -, o Ministério da Saúde assumiu um compromisso de negociação de várias matérias que constavam do caderno reivindicativo", que "daí para cá têm sido negociadas várias medidas e diplomas" e que "na última reunião negocial, no dia 1 de agosto, o Ministério da Saúde assumiu que as negociações seriam retomadas na primeira quinzena de setembro, ficando agendada reunião para dia 12, e que, entretanto, remeteria as suas propostas". Assim, - diz - "não fazia sentido" marcar uma greve com uma reunião marcada.

O responsável refere que, até esta segunda-feira, altura da entrevista à RTP, "o Ministério da Saúde ainda não enviou a sua proposta", mas salienta que "o dia D" é hoje, 12 de setembro, e que espera que o ministro assuma o compromisso de apresentar soluções. Se tal não acontecer, admite juntar-se à greve: "Se o Ministério não apresentar propostas, ou se as propostas forem insuficientes, a direção nacional do SEP e do SERAM, que reúnem no dia 13, irão naturalmente desencadear formas de luta".

No início da noite desta segunda-feira, no final do Conselho de Ministros Extraordinário, que decorreu em São Bento, o primeiro-ministro reuniu com o ministro Adalberto Campos Fernandes para preparar a reunião de hoje com o SEP, da qual também Guadalupe Simões, do SEP, espera bons resultados: "O Ministério da Saúde já admitiu ao SEP vontade de ajudar os enfermeiros, de revalorizar a profissão, portanto, até esgotarmos o processo negocial e do diálogo, não vamos entrar em processos de greve", disse a dirigente sindical em declarações ao CM.

Já o Sindicato dos Enfermeiros (SE) diz não ter qualquer reunião agendada com o Ministro da Saúde, que nem tem interesse nisso e que a greve é para manter. Em entrevista ao jornal i, José Correia Azevedo, presidente do SE - que com o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem constituem a FENSE - afirmou que não quer "dialogar com surdos": "A dialogar estivemos desde 20 de julho quando o ministro me disse, de homem para homem, que as coisas se iam resolver. A retórica não nos levou a lado nenhum".