Hospital dos Marmeleiros "não tem condições" de trabalho

quinta, 31 agosto 2017 09:30

O Hospital dos Marmeleiros, no Funchal, "não tem condições para estar aberto, nem para os profissionais nem para os utentes e doentes". A opinião é da bastonária da Ordem dos Enfermeiros, que está de visita à Madeira para acompanhar os enfermeiros e reunir com alguns responsáveis.

Um ano após a última ida à Região Autónoma da Madeira, Ana Rita Cavaco iniciou esta terça-feira uma visita para "cumprir a promessa" de estar perto dos enfermeiros, inteirar-se das condições de trabalho e reunir com a tutela. A bastonária começou por visitar o Centro de Saúde do Porto Santo, no dia 29, e esta sexta-feira tem reunião marcada com o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos. Nesse mesmo dia vai marcar presença na Escola Superior de Enfermagem São José Cluny. Na segunda-feira, 4 de setembro - e antes de seguir para os Açores -, Ana Rita Cavaco será recebida em audiência pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e o principal assunto em cima da mesa será a contratação de enfermeiros.

"Os rácios de enfermeiros no país todo são muito baixos e a Madeira, infelizmente, não é exceção nesta realidade. Aliás, foi onde encontramos algumas das situações mais complicadas do ponto de vista do número de enfermeiros versus número de doentes nos serviços. Nomeadamente no Hospital dos Marmeleiros, porque é um hospital que não tem condições para estar aberto, nem para os profissionais nem para os utentes e doentes", afirma a bastonária em entrevista ao Diário de Notícia da Madeira.

Além da falta de enfermeiros, a responsável refere problemas a nível de controlo de infeções: "Este hospital vai contra todas as normas de controlo de infeção que nós possamos promover", salienta, acrescentando que já no ano passado tinha alertado para a falta de condições e que "não compreende como é que em tantos anos a Madeira não conseguiu arranjar uma solução para aquele hospital". Defende, por isso, o seu encerramento.

Questionada sobre o atual protesto dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO), Ana Rita Cavaco afirma que a sua duração "vai depender do Governo, porque o problema de não haver uma carreira que abranja todas estas categorias é um problema nacional que se estende às ilhas. É um problema da ausência de carreira. Em 2005 nós ficámos congelados e em 2009 desapareceu a carreira como nós a conhecíamos, porque a categoria de especialista existia até 2009...".

Entretanto, e no seguimento do protesto nacional, esta quarta-feira, os EESMO madeirenses voltaram a manifestar-se em frente ao Hospital Dr. Nélio Mendonça, contra a falta de progressão na carreira e o não reconhecimento da especialidade.