Segundo reportagem da SIC, a Ordem visitou a unidade hospitalar durante dois dias, no passado mês de junho, após ter recebido queixas de insegurança na prestação de cuidados de enfermagem.
No relatório realizado após a visita, o São João é acusado de chamar de trabalho extraordinário a "turnos programados em horários", situação que é "ilegal" e que "os enfermeiros não estão obrigados a cumprir", diz a OE, salientando que "enfermeiros exaustos estão sujeitos a um aumento do risco de erro e, como tal, a um aumento da insegurança dos cuidados prestados diariamente".
Além disso, a OE diz ter encontrado situações de insegurança em vários serviços. No serviço de oftalmologia a enfermeira que coordena não é especialista e as portas de emergência estão fechadas a cadeado há três anos. No hospital de dia e consulta externa não existem processos físicos dos utentes nem prescrição eletrónica, não havendo qualquer registo dos passos dados pelos enfermeiros.
Também no bloco ambulatório de oftalmologia a OE encontrou más práticas "graves", sugerindo mesmo o seu encerramento imediato. Fala de material esterilizado no mesmo espaço onde estão armazenados os contentores de resíduos contaminados, equipamentos nos corredores de acesso às salas operatórias e da inexistência de sanitários no piso do bloco
No serviço de estomatologia verificou "grande desorganização e recurso a estratégias erradas", tanto quanto à gestão de turnos como à integração de novos profissionais de enfermagem. "As regras legais são infringidas todos os dias, com o conhecimento da enfermeira diretora e chefias", lê-se no relatório, onde refere falta de privacidade dos utentes, falta de material e uma marquesa operatória com o "revestimento deteriorado, remendado com adesivos, mas com a espuma de enchimento à vista", situação que representa um "enorme foco de contaminação".
A bastonária Ana Rita Cavaco diz saber que o hospital já pediu para contratar mais enfermeiros, mas sugere que, enquanto isso não acontecer, as chefias de enfermagem proponham o encerramento de áreas como medida de segurança.
Contactado pela SIC, o Hospital de São João disse que as "alegadas inconformidades vão ser objeto de análise e, se necessário, intervenção".




