Prisões queixam-se de falta de enfermeiros

terça, 01 agosto 2017 11:46

Faltam enfermeiros e médicos nas prisões, o que tem levado a situações em que são os diretores e guardas prisionais a dar os medicamentos aos presos. O alerta foi dado esta segunda-feira pelo diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Celso Manata.

Segundo o responsável, além dos problemas na distribuição de medicação, a falta de profissionais de saúde já levou também ao cancelamento de cirurgias. Setúbal é o caso mais crítico.

"A nível operatório temos unidades completamente fechadas. Os médicos que estão aqui, e os enfermeiros, têm sido heróis, porque praticamente têm feito omeletes sem ovos", afirmou Celso Manata, que falou aos jornalistas após uma visita do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, e da Secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, ao Hospital Prisional São João de Deus.

Com um "problema gravíssimo de recursos humanos", a solução tem passado por contratar empresas externas, mas o responsável defende que essa não é a melhor opção, porque essas empresas falham muito: "O sistema assenta no relacionamento com empresas. Esse relacionamento já se viu que não funciona, falha com muita frequência. As empresas fizeram contratos com os seus profissionais - nós não temos nada a ver com isso - com pagamentos muito baixos e não encontram quem queira", disse, acrescentando que "mesmo do ponto de vista económico as empresas são uma má resposta, porque como o médico não conhece a pessoa, porque está sempre a rodar, pede os exames todos e prescreve toda a medicação que lhe é pedida".

"Com muita frequência chega a hora de dar os medicamentos e não temos enfermeiro. Médicos, pedimos cerca de 50 e enfermeiros pedimos 59. O Ministério da Justiça já concordou connosco e estamos agora à espera que o Ministério das Finanças dê resposta."

Apesar de ser um problema que atinge todas as prisões, há casos mais flagrantes. De acordo com Celso Manata, Setúbal "tem sido uma prisão com muitas dificuldades". "Com muita frequência temos falta de enfermeiros e andamos a pedir a este ou a outro, depois pedimos ao hospital, mas o hospital também já está com dificuldades", salientou.

O responsável referiu ainda "um caso em Silves em que teve de ser o diretor a dar medicação" e que "o estabelecimento de segurança máxima, que é Monsanto, também tem problemas dessa natureza".