O protesto chegou na quinta-feira ao hospital do Funchal, na Ilha da Madeira, com os enfermeiros especializados em saúde materna a dizer "basta" ao congelamento de carreiras que se verifica deste 2009.
"A partir de hoje, dia 20, os enfermeiros especializados vão prestar cuidados gerais", disse à RTP a enfermeira Márcia Ornelas, representante dos EESMO em protesto, adiantando que "este protesto só vai terminar quando o Governo central [lhes]apresentar uma proposta".
A região conta com cerca de 60 profissionais a trabalhar na área, 44 dos quais estão em protesto, por terem contratos de cuidados gerais. Márcia Ornelas garante que os cuidados aos utentes vão continuar a ser prestados, estando o atendimento a ser realizado pelos restantes profissionais contratados como especialistas e reforçado pelas equipas médicas.
"No serviço, as colegas que estão contratadas como especialistas estão a ter mais turnos, o que implica uma certa sobrecarga, para que possamos estar só a prestar cuidados gerais", salienta a enfermeira. Os turnos dos médicos foram também "reestruturados" para poderem colmatar a falta de enfermeiros especializados.
Esta quinta, entrou no protesto também o Garcia de Orta e o hospital de Santarém. O hospital de Cascais tinha já se juntado ao movimento na quarta-feira.
"Este hospital é um hospital que tem um movimento grande, temos cerca de 2.500 partos por ano. O internamento de medicina materno fetal não está cheio, está aproximadamente com 50% de lotação, e o bloco de partos deverá ter 2 ou 3 utentes", revelou à RTP um dos 16 especialistas que se recusaram a prestar cuidados diferenciados na urgência obstétrica, no internamento e no bloco de partos.
Nos Açores, o protesto já leva uma semana e foi marcado por uma situação insólita: uma grávida dirigiu-se ao Hospital do Divino Espírito Santo, foi avaliada e teve alta. Mais tarde voltou ao hospital, mas já com o filho nos braços, que entretanto nasceu em casa. Além disso, Luís Furtado, presidente da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, referiu ainda à RTP um caso de uma utente que recorreu a uma unidade privada para poder realizar um cesariana.
De 18 especialistas na região açoriana, nove aderiram ao protesto, estando outros nove a assegurar os cuidados. "À medida que as pessoas vão estando cansadas, isso irá pesar na qualidade e segurança dos cuidados que são prestados, inevitavelmente", salienta Luís Furtado.
Entretanto, a pedido do Ministro da Saúde, a Procuradoria Geral da República (PGR) já deu o seu parecer sobre a situação. O conselho consultivo da PGR considera que o protesto dos enfermeiros "não é enquadrável numa greve em conformidade com a lei" e que aqueles que aderiram devem ser responsabilizados disciplinarmente. A Ordem dos Enfermeiros e os sindicatos não concordam e mantêm o seu apoio ao protesto.




