Enfermeiros especialistas avançam para greve total. Ordem apoia

sexta, 14 julho 2017 15:46

Os Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO), que estão em protesto desde o início do mês, vão fazer uma greve de cinco dias, de 31 de julho a 4 de agosto. A decisão tem o apoio da Ordem dos Enfermeiros (OE), que defende que esta seja uma paralisação não só dos especialistas, mas de todos os enfermeiros.

Os enfermeiros "vão endurecer as formas de luta, passando de uma greve de zelo para a greve total", anunciou à Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, José Azevedo, citado pelo Observador.

"Vai ser um abandono total dos serviços. Vamos reduzir aquilo aos cuidados mínimos, como a lei impõe", reforçou o dirigente sindical, que falava à porta da Urgência do Hospital de Aveiro, onde decorreu, esta quinta-feira, uma conferência de imprensa para fazer um balanço dos dez dias de protesto do movimento de EESMO.

Os enfermeiros estão em protesto, desde o dia 3 de julho, recusando-se a prestar cuidados especializados não pagos. Bruno Reis, porta-voz do movimento, não tem dúvidas de que "a vigilância materno-fetal no país está francamente comprometida". "Há serviços sem enfermeiros especialistas e onde são os médicos que estão a fazer esta vigilância, quando poderiam estar a desempenhar outras funções", refere, adiantando que "os médicos também estão preocupados e estão desgastados porque estão a assumir eles, quase na íntegra, a vigilância da grávida".

A bastonária da OE, Ana Rita Cavaco, já reagiu, mostrando total apoio à decisão dos profissionais de enfermagem. A Ordem não entende "a birra do Governo ao não negociar e resolver o problema" e "por tudo o que se está a passar com os enfermeiros e no Serviço Nacional de Saúde (SNS)" vai apoiar a greve, afirmou à Lusa a bastonária, citada pela Rádio Renascença.

"Não entendemos esta birra. Achamos que é uma birra do Governo em não conseguir resolver e negociar com os sindicatos como faz com as outras classes profissionais. Não sei se existe algum problema por parte do Governo com os enfermeiros, mas se existe não devia existir porque são estes que estão 24 horas por dia nas instituições de saúde", salientou Ana Rita Cavaco.

A bastonária referiu ainda que esta não é uma greve só dos especialistas, mas de todos os enfermeiros: "Os enfermeiros estão a avançar para uma greve geral de cinco dias e isto nunca aconteceu. Somos 70 mil inscritos na Ordem, mais de 40 mil a trabalhar no SNS e a maior classe profissional do país. Se avançam com uma greve, isso deveria fazer-nos pensar enquanto pessoas”.