Estudo: Em que ambiente estão a acontecer os partos?

quarta, 12 julho 2017 16:15

A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP) tem a decorrer um inquérito online para percebem em que circunstâncias estão a acontecer os partos em Portugal. O inquérito é dirigido a enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstétrica e médicos especialistas ou internos em Ginecologia e Obstetrícia e estende-se até 15 de setembro.

O inquérito "As experiências dos profissionais de saúde na assistência ao parto em Portugal" pretende "dar voz e conhecer, na primeira pessoa, as suas experiências sob o ponto de vista da satisfação pessoal, desgaste ou esgotamento, assédio moral e formas de tratamento das utentes" e perceber até que ponto esses fatores influenciam a qualidade da assistência ao nascimento.

"Frequentemente dirigem-se a nós mulheres insatisfeitas com os cuidados prestados nas instituições de saúde portuguesas. Por outro lado, tendo a associação na sua equipa multidisciplinar profissionais ligados à gravidez e ao parto, estamos cientes das limitações, objetivos, motivações e dificuldades vividas pelos profissionais diariamente nos serviços", refere Mariana Torres, da APDMGP, justificando a realização do inquérito.

"Consideramos que há sempre dois lados numa relação profissional-utente. Nesta perspetiva, acreditamos ser importante conhecer as experiências e alguns aspetos relacionados com as condições de trabalho dos enfermeiros e médicos portugueses e sensibilizar a opinião pública para o ambiente em que estão a acontecer os nascimentos e as condições de trabalho dos profissionais que prestam cuidados, que afetam a qualidade da assistência e segurança das mulheres e bebés em Portugal", acrescenta.

Os resultados serão alvo de "tratamento rigoroso, estando prevista a realização de uma análise estatística tanto descritiva como multivariada" e serão, depois, dados a conhecer "aos decisores políticos, representantes de grupos profissionais, movimentos da sociedade civil, à comunidade científica e académica e ao público em geral, por forma a dar visibilidade às experiências dos profissionais e, em última análise, a contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde materna no nosso país", afirma Marina Torres, adiantando que o estudo deverá ficar concluído até ao final deste ano.

A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto, que é composta por sociólogos, doulas, enfermeiros, investigadores, juristas, profissionais de comunicação e pais, entre outros, tem como fim a defesa dos direitos das mulheres durante a gravidez e parto através da promoção do respeito pelos direitos humanos. Além de esclarecer sobre leis, evidências científicas, eventos ou publicações, presta também apoio direto aos pais que a procurem, "para que possam fazer escolhas verdadeiramente informadas e encontrar profissionais de saúde que as apoiem nessas escolhas".

Numa altura em que os enfermeiros especialistas estão em protesto, a associação diz-se "solidária" com estes profissionais: "Não é admissível que profissionais que investiram numa especialização tenham contratos e salários não correspondentes à sua formação. Esperamos que tudo se resolva rapidamente, de uma forma justa para todos", comenta Mariana Torres.