Em declarações à Lusa, e citado pelo JN, Bruno Reis, porta-voz dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO), adiantou que o objetivo era entregar um pedido de reunião urgente "para que ele [Antonio Costa] possa perceber que esta é uma situação emergente, que nós pretendemos ver resolvida, para que dia 3 [de julho], de norte a sul do país, as grávidas não fiquem sem apoio da enfermagem especializada".
Se as reivindicações dos profissionais de enfermagem não forem atendidas entretanto, a partir da próxima segunda-feira, os enfermeiros especialistas de 28 maternidades e nove centros de saúde vão deixar de desempenhar serviços especializados, limitando-se a realizar tarefas de enfermagem geral, pelas quais são pagos.
"Nós temos competências específicas, somos uma mais-valia no Serviço Nacional de Saúde e nosso desempenho é reconhecido pela população, pelas grávidas e sem dúvida que somos uma mais-valia no exercício das nossas competências", afirmou ainda o responsável, explicando que o protesto tem por base reivindicações com 10 anos, nomeadamente o reconhecimento pelo Ministério da Saúde da categoria de enfermeiro especialista e consequente valorização salarial.
Bruno Reis não acredita que o problema esteja só nas questões orçamentais, opinião oposta à da bastonária da Ordem dos Enfermeiros: "Foi-nos dito taxativamente que o que estava em causa não era uma questão de vontade porque o ministro da Saúde reconhece a importância dos enfermeiros especialistas, não só na questão da saúde materno e obstétrica, mas também nas outras cinco especialidades que a Ordem reconhece", avançou Ana Rita Cavaco.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, apesar de entender as reivindicações dos enfermeiros, não concorda com a paralisação dos blocos de parto, dado tratar-se de um serviço de urgência, consagrado nos serviços mínimos a garantir. "Isto pode afetar o funcionamento dos hospitais. Eu não consigo entender, como cidadão, como é que é possível os enfermeiros especialistas na área da obstetrícia pararem num contexto que é o contexto de serviço de urgência", referiu à Lusa, citado pela tvi24.
"Eu acho que o protesto é justo", mas "pararem esta atividade em contexto de serviço de urgência, não vejo que isso seja legal", disse, acrescentando que tem "a certeza absoluta que o ministro da Saúde vai tomar precauções", até porque "as consequências para a população serão muito grave" se nada for feito.




