Falta de enfermeiros leva a fecho de serviços nos hospitais do Porto

sexta, 28 abril 2017 12:27

Vários hospitais da área metropolitana do Porto estão em risco de encerrar serviços por não terem enfermeiros suficientes para garantir os cuidados. O Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, é um desses casos. A partir de hoje, o hospital encerra os serviço de otorrinolaringologia e de oftalmologia.

De acordo com a RTP, os 15 enfermeiros que trabalhavam nos serviço de otorrinolaringologia e de oftalmologia do Hospital Pedro Hispano foram transferidos para os serviços de cirurgia e de medicina, o que levou também à transferência dos doentes para outros serviços e culminou no encerramento dessas áreas.

Apesar da administração do hospital dizer que a situação se deve apenas a situações de baixa dos enfermeiros e que garante cuidados adequados a todos os utentes, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, avançou à RTP que a falta de enfermeiros nesta instituição "é antiga" e que se deve a "um atraso das autorizações do Ministério da Saúde para novas contratações".

Ana Rita Cavaco diz que estão "há meses" à espera de resposta a 15 pedidos para contratação de profissionais de enfermagem, uma situação que não consegue perceber. A bastonária afirma ainda que tem conhecimento de situações semelhantes à do hospital de Matosinhos em Viana do Castelo e no Hospital de São João, no Porto.

Já o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) afirma em comunicado que "situação semelhante acontece no Centro Hospitalar de Gaia se, até ao final do mês de maio, não for autorizada pelo Ministério da Saúde a renovação de 37 contratos a prazo".

O sindicato diz que a falta de enfermeiros está a afetar "a maioria dos hospitais da região" [do Porto]. "É inadmissível a situação que se vive nas instituições tanto mais que são conhecidas os milhares de horas em dívida aos enfermeiros, por trabalho efetuado e não pago, resultante precisamente da carência destes profissionais", lê-se no comunicado do SEP, que defende que "diminuir a despesa dos serviços não pode ser feita à custa dos trabalhadores e dos doentes".