Enfermeiros pedem uniformização e simplificação dos Sistemas de Informação

sexta, 24 março 2017 09:45

A Ordem dos Enfermeiros (OE) realizou um inquérito sobre Sistemas de Informação em Enfermagem (SIE), para ouvir estes profissionais sobre o assunto, a fim de delinear uma estratégia a nível nacional. Os enfermeiros apontaram a falta de uniformização dos vários SIE e a dificuldade em obter informação individualizada como os principais problemas.

Segundo a Ordem, responderam ao inquérito 3009 profissionais, 90,2% dos quais tem ou teve contacto com aplicações/softwares de suporte aos SIE, num total de mais de 15 aplicações informáticas.

"Do inquérito, concluiu-se que os enfermeiros consideram essencial a uniformização dos múltiplos SIE – nos aspetos relacionados com a interoperabilidade entre aplicações e entre linguagens/classificações e na redução clara da duplicação de dados –, bem como a importância de obter informação mais simplificada na carta de alta de Enfermagem", diz a OE, acrescentando que estes profissionais "consideram que [a informação] tem um baixo nível de individualização à pessoa que se encontra a transitar entre níveis de cuidado".

Os enfermeiros sugeriram o melhoramento da arquitetura dos sistemas, tornando-os mais fáceis de usar, favorecendo o acesso ao histórico do doente e a visualização gráfica de monitorização em tempo real. 72,6% dos inquiridos considera ainda que as plataformas em uso, atualmente, são "limitadoras do tempo disponível para contacto com a pessoas a cuidar".

A par da simplificação e automatização de processos, os profissionais referem também uma "urgente necessidade de formação dos SIE e no uso da Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE)".

Em novembro passado, quando decorria o inquérito, Luís Barreira, vice-presidente da Ordem e responsável nacional pelos SIE, disse ao Jornal Enfermeiro que esta era "uma área política prioritária" para a OE e justificou: "Nos dias de hoje, ter acesso à informação é fundamental para qualquer profissão e na enfermagem este princípio é crucial, na medida em que a falta de informação interfere diretamente com a qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados à população".