Numa nova reportagem da TVI, os funcionários agora suspensos denunciam despesas de milhares de euros em "quilómetros falsos", "quilómetros que nunca foram feitos" e que, por isso, não são devidamente registados nas folhas de despesas, onde são excluídos dados como a matrícula do automóvel, local de partida e local de destino.
Segundo a TVI, "as atas e relatórios a que teve acesso comprovam as denúncias", revelando elevadas despesas em viatura própria na secção regional da sede. Nos balancetes gerais "é possível verificar que de janeiro a março foram contabilizados cerca de 31 mil euros e que em junho o valor escala para os cerca de 110 mil euros", indicam.
A bastonária diz tratar-se de "acusações falsas" e justifica os milhares de quilómetros com o trabalho no terreno. No entanto, e de acordo com emails apresentados na reportagem da TVI, as contas têm levantado questões por parte do departamento de controlo de custos da OE.
"A secretária do controlo de custos questionou o gabinete da senhora bastonária porque é que as folhas dela não vinham com isto e se isto acontecia normalmente ou não. A verdade é que nesta situação não está lá referenciado nem matricula nem local de origem , nem local de chegada, apenas está o dia e o valor dos quilómetros", avança Graça Machado, acrescentando que o controlo de contas não teve qualquer explicação.
Ana Rita Cavaco é ainda acusada de irregularidades na restruturação dos serviços jurídicos da OE, com a dispensa de advogados e contratação de serviços a outros escritórios por valores considerados "excessivos" .
"Vamos supor que o vencimento de um advogado situava-se à volta dos 1.300 euros...e as pessoas vinham ganhar 1.500, 1.800, por aí fora...", revela o diretor financeiro. A vice-presidente opta por dar um exemplo: "O Ato da Enfermagem, que é um ato em saúde, que é algo que - acho - qualquer advogado da Ordem poderia ter tratado, até porque está mais dentro do assunto, foi pedido a empresas de advogados fora. E é sempre a mesma".




