A investigação intitulada "Influência do trabalho por turnos na saúde e bem-estar dos enfermeiros portugueses: estudo comparativo em organizações com diferentes modelos de gestão" surge no âmbito do mestrado em Enfermagem que Daniela Santos está a frequentar na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, em consórcio com a Escola Superior de Enfermagem de Vila Real – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Em declarações ao Jornal Enfermeiro, a investigadora conta que a escolha do tema partiu da sua própria experiência enquanto enfermeira, de relatos de alguns colegas, que "referem alterações da saúde e do bem-estar desde que iniciaram o trabalho por turnos", e das recorrentes notícias que leu sobre o assunto.
"Nos últimos anos têm sido recorrentes as agudizações de sinusite, as cefaleias, os desconfortos gástricos, assim como o impacto negativo que o trabalho noturno tem gerado na minha vida social e familiar. Existe evidência de que o trabalho por turnos altera a sincronia entre o relógio corporal interno e o ambiente, o que conduz muitas vezes a problemas de saúde, como distúrbios do sono, aumento de acidentes e lesões, e isolamento social... A nível fisiológico esta dessincronização provoca mudanças na temperatura corporal, nos níveis hormonais, no funcionamento do sistema imunitário, assim como dos ciclos de atividade/repouso", avança a enfermeira.
"Relativamente ao trabalho por turnos dos enfermeiros portugueses, não existe um modelo de horários de trabalho, cabendo às entidades empregadoras a elaboração de escalas. Existem atualmente algumas orientações para a concretização das escalas de trabalho, contudo o que se verifica na prática é que o número de horas por turno e as escalas são realizadas mediante as necessidades de gestão, excluindo questões da adaptação biológica ao trabalho por turnos, a prevenção da saúde ocupacional dos enfermeiros e a segurança e/ou qualidade dos cuidados prestados às pessoas que necessitam dos cuidados de enfermagem. É esperado que alguns tipos de trabalho por turnos, como por exemplo o da rotação rápida, tenham diferentes influências na saúde e bem-estar dos enfermeiros. Se esta influência é mais comum em instituições publicas ou privadas, só será possível saber após a análise dos dados recolhidos", refere.
Para elabora um modelo de elaboração de escalas conveniente para estes profissionais, a investigadora quer ouvir os "enfermeiros inscritos na Ordem dos Enfermeiros, independentemente da organização onde prestam cuidados e do tipo de turnos que realizem". Daniela Santos comenta que, com poucos dias online, o inquérito já teve "respostas de enfermeiros de norte a sul do país, incluindo as ilhas".




